sábado, 22 de junho de 2013

A prática do Dia do Senhor


Por João Calvino - 1509 - 1564


"...O que devemos fazer então? Devemos entender que não é suficiente para nós apenas ouvir o sermão pregado no dia do Senhor, receber algumas boas instruções e invocar o nome de Deus. Também devemos digerir essas coisas e meditar sobre os benefícios que a graça de Deus tem feito por nós. Por este meio podemos nos adaptar as coisas que nos levarão ao nosso Deus na segunda-feira e durante o resto da semana. Assim, quando temos tempo para meditar sobre o que aprendemos, exteriorizamos de nossas mentes todas as coisas que nos impedem ou que nos arrastam para longe da meditação das obras de Deus.

Desse modo vemos a finalidade do regulamento para mantermos este dia. Não é para conservar as cerimônias estritamente como sob a servidão legal judaica, porque não temos a figura ou sombra. Mas, sim, o Dia serve como um meio para que possamos aprender de Deus na medida em que somos capazes, para aplicar-nos mais plenamente ao serviço de Deus. Dedicamos o dia todo a ele para que possamos nos retirar completamente do mundo e, como eu disse antes, para que possamos ter um bom começo para o restante da semana.

Também devemos considerar que não é o suficiente para nós meditarmos no Dia do Senhor sobre Deus e seus trabalhos apenas para nós mesmos. Pelo contrário, devemos nos reunir em um dia especifico para realizar a confissão pública de nossa fé. Na verdade, como eu disse antes, isso deve ser feito todos os dias, mas por causa da imaturidade espiritual do homem e da preguiça é necessário ter um dia especial dedicado inteiramente a este propósito. É verdade que isso não se limita ao sétimo dia; nem nós, de fato, mantemos o mesmo dia nomeado para os judeus, o sábado. Mas, para mostrar a liberdade dos cristãos, o dia foi mudado porque a ressurreição de Jesus Cristo nos libertou da escravidão da Lei e cancelou a obrigação a ele. É por isso que o dia foi alterado. No entanto, devemos observar o mesmo regulamento de ter um dia específico da semana. Quer se trate de um dia ou dois é deixado à livre escolha dos cristãos.

No entanto, se as pessoas se reúnem para observar os sacramentos, para oferecer oração comum a Deus e para mostrar concordância na união da fé, é conveniente ter um único dia especifico para isso. Não é suficiente que cada pessoa apenas se recolha a sua própria casa para ler as Sagradas Escrituras ou para orar a Deus. Pelo contrário, o melhor é que mantenha o regulamento que Deus ordenou , o de estarmos juntos na companhia dos fiéis e demonstrar o vínculo que temos com todo o corpo da Igreja.”...

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Fonte: João Calvino, Sermões sobre Deuteronômio (“On the Sabbath” - No Sábado / Dia do Senhor) - parte 1

sábado, 30 de março de 2013

FILADÉLFIA JOVEM: Jovens em Ação

No dia 29 de Março de 2013 a Mocidade (UMP),  os Adolescentes(UPA) juntamente com alguns  irmãos da Igreja Presbiteriana Filadélfia realizaram um passeio a  Cachoeira Dantas- Palmeirina/PE onde ali podemos ter momentos de comunhão, confraternização e crescimento espiritual e no final do dia realizamos um culto juntos com os irmãos da Congregação Presbiteriana de cachoeira Dantas.
















CANTATA DE PÁSCOA NA IP FILADÉLFIA



No dia 27 de Março de 2013 aconteceu na Igreja Presbiteriana Filadélfia de Garanhuns a Cantata A Mensagem da Cruz apresentada pelo Grande Coral Presbiteriano. Foi uma noite maravilhosa onde várias pessoas puderam ouvir músicas que falam da obra realizada por Jesus na Cruz em favor do pecador. O pregador foi o pastor Inaldo Cordeiro.



SAF DA IP FILADÉLFIA EM FESTA















No dia 24 de março de 2013 às 19:00h aconteceu o aniversário da SAF da IP Filadélfia de Garanhuns. Na oportunidade foi realizado um culto de ações de graças por mais um ano de organização da nossa SAF. O pregador foi o pastor Eudes Oliveira diretor do Colégio Presbiteriano 15 de Novembro de garanhuns-PE e contamos com a participação de toda igreaja, do grupo Mulheres que Louvam, Ana Cabral e Grupo de Louvor da IP Filadélfia.

II ENCONTRO DE LIDERANÇA DA FEDERAÇÃO DE SAF´S DO PGAR












No dia 23 de março de 2013 aconteceu o II Encontro de Liderança da Federação de SAF`S do Presbitério de Garanhuns na Igreja Presbiteriana Filadélfia. O Encontro teve como preletores o pastor Emanoel  da IP São João e a Dr. Ana Cláudia da IP Águas Belas. Foi um dia abençoado onde as nossas irmãs aprenderam muito para a glória de Deus. Estiveram presentes também os pastores Eli Vieira da IP Filadélfia, Paulo Moura da IP Águas Belas e Jasiel Freira da IP Catonho.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Elementos essenciais para o verdadeiro crescimento de uma igreja



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Por Rev. Ronaldo P. Mendes

“Paulo, Silvano e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo, graça e paz a vós outros. Damos, sempre, graças a Deus por todos vós, mencionando-vos em nossas orações e, sem cessar, recordando-nos, diante do nosso Deus e Pai, da operosidade da vossa fé, da abnegação do vosso amor e da firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, reconhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição, porque o nosso evangelho não chegou até vós tão-somente em palavra, mas, sobretudo, em poder, no Espírito Santo e em plena convicção, assim como sabeis ter sido o nosso procedimento entre vós e por amor de vós.”
(I Tessalonicenses 1.1-5)

Ao escrever esta carta o apóstolo Paulo estava em Corinto. Uma cidade que influenciava o mundo por sua libertinagem e cultos a ídolos. Tessalônica (atual Salônica, segunda maior cidade da Grécia) era capital da Macedônia e era uma província do império Romano. Paulo escreveu esta carta com o propósito de orientar estes irmãos sobre a segunda vinda de Cristo. E Paulo elogia aqueles irmãos pelo progresso na fé. Eles eram crentes modelos, mesmo sendo uma igreja nova. Os crentes de Tessalônica tornaram-se um modelo para todos os crentes da região (vs. 7). Eles eram tão bem conceituados que Paulo chega a dizer que não precisavam de coisa alguma a mais (vs. 8). Fruto do trabalho missionário de Paulo (At 17.1-8), esta igreja estava crescendo porque havia alguns “elementos” que faziam a diferença no seu meio.

Muitas linhas de pensamentos prometem crescimento da igreja: Por exemplo o pragmatismo – Os fins justificam os meios. Segundo esse pensamento todo método humano é valido para fazer uma igreja crescer. Mas o que a Bíblia diz?
Para crescermos verdadeiramente, não apenas incharmos, devemos ter alguns elementos genuinamente bíblicos! Paulo, ao escrever esta carta nos deixa isso bem claro. Segundo o texto o primeiro elemento que faz uma igreja crescer é:

O poder de Deus (v.1-5a)

Paulo faz referência a Silvano e Timóteo (v.1) – Eram os cooperadores de Paulo, e oravam juntos com Paulo pela igreja de Tessalônica (v.2). Eles levariam a carta à igreja. Eram homens dedicados, que viviam confiantes no poder de Deus. Silvano é o mesmo Silas, que acompanhou Paulo em sua segunda viagem missionária: “Então, pareceu bem aos apóstolos e aos presbíteros, com toda a igreja, tendo elegido homens dentre eles, enviá-los, juntamente com Paulo e Barnabé, a Antioquia: foram Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens notáveis entre os irmãos,” (At 15.22).E Timóteo dispensa apresentações. Era um jovem que era “fiel no Senhor” (cf 1Co 4.17; cf 1 e 2Timóteo).

O poder de Deus é o elemento que gera crescimento para a igreja (v.2-5a) – Paulo diz que sempre dava “graça a Deus” pela vida daquela igreja (v.2) e que, em suas orações, “mencionava (nomeava) a igreja”(v.2b). Estas orações não eram apenas pedidos, mas ações de graça, louvor e momentos de adoração. Eles oravam juntos e individualmente pela igreja.  Paulo tinha convicção do chamado daquela igreja: “vossa eleição”(v.4). Porque sabia o que, de fato, o Evangelho de Cristo tinha feito naquela igreja (v.5a) – A igreja estava crescendo porque o Evangelho estava na vida diária daquela igreja (cf v.3). Eles estavam praticando aquilo que o Evangelho ensina!

Não era a persuasão do apóstolo que havia covencido aqueles irmãos, mas o poder de Deus. Paulo diz: “porque o nosso evangelho não chegou até vós tão-somente em palavra…”(v.5a), e, em Coríntios afirma: “A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder,” (1Co 2.4). A palavra “poder” (Dunamys), no contexto, se refere ao poder de Deus “milagre”, ação sobrenatural. Aquela igreja, não era apenas convencida dos seus pecados, era convertida. E isso não ocorreu por eloquência, mas por meio da pregação do Evangelho transformador de Cristo.

O crescimento da igreja não depende de nossas forças, mas da Palavra de Deus. Alguns pensam que conseguem convencer pessoas a seguir a Cristo mostrando o que Cristo fez em sua vida. Não quer dizer que isso seja errado, e alias pode até ser um instrumento usado por  Deus. Mas o que muda a vida de alguém é o poder de Deus que vem por meio do Evangelho: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação…” (Rm 1.16).

Segundo o texto base outro elemento que faz uma igreja crescer é:

O Espírito Santo (v.5b)

A promessa de Cristo: “… recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (At 1.8). Deus capacitou a igreja com seu Espírito. A igreja primitiva foi testemunha dos milagres que acompanharam a igreja (cf Lc 1.17, 35;4.14; At 10.38).

Embora houvesse grandes milagres, por meio de Jesus e seus discípulos (Pedro At.3.6; Paulo Atos 20.9, e outros), estes não foram dados para convencer o homem de seus pecados. Os milagres tinham seguintes objetivos: A glória de Deus e testificar o profeta como enviado do Senhor. O Espírito Santo habita naquele que é crente, somos o “… santuário do Espírito Santo” (1Co 6.19). Assim podemos entender o motivo de haver poder na mensagem de Paulo e de seus colegas, pois quando ele falava, Deus é que estava falando por intermédio deles.

Qual o papel do Espírito? – Na salvação do homem,  Ele é quem regenera (cf Jo 3.5;Tt 3.5). Anthony Hoekema diz que: “O papel do Espírito Santo no processo da Salvação é fazer-nos um em Cristo” (livro Salvos pela Graça). Ele nos convence do erro, Jesus disse aos seus discípulos que: “… Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade;” (Jo 16.13). Portanto, o papel do Espírito Santo não é realizar milagres para convencer, mas transformar corações!

Muitos movimentos “evangélicos” buscam dons espirituais. E nessa busca esquecem de que quem muda o coração de alguém, não somos nós, mas o Espírito de Deus operando de forma perfeita.  Não são os “milagres” que mudam. Nós devemos pregar o evangelho, e o Espírito de Deus vai convencer os pecadores de seus erros. E para isso é preciso ter comunhão com Espírito; andar com ele (Gl 5.16); encher o coração dEle (Ef 5.18). Assim, nossa mensagem terá efeito!

Segundo o texto, o terceiro e último elemento que faz uma igreja crescer é:

 A certeza da ação de Deus (v.5c)

Convicção da verdade anunciada – “Convicção”, ou “plena segurança” (plêrophoria) – Na verdade, era a presença do Espírito Santo que dava esta convicção. Paulo tinha certeza de que Deus estava operando através dele. Ele sabia de que pregava a verdade e não invenção: “… se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema.” (Gl 1.9).

Convicção da ação de Deus – Paulo sabia que Deus estava abençoando aquela igreja através de sua vida, do seu ministério. Ele tinha convicção de seu chamado: “Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus” (Rm 1.1). Ele sabia que por intermédio dele e de seus cooperadores (Silas, ou Silvano e Timóteo), Deus estava fazendo aquela igreja se fortalecer e crescer.

Convicção nos resultados - É claro que o crescimento vem de Deus (1Co 3.6). Mas onde há a ação do Senhor, ali haverá resultados. Deus trará o resultado:“Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.” (Fp 1.6)

Se queremos crescer, é preciso termos convicção de que somos instrumentos de Deus. Que ele vai nos usar para levarmos a Palavra de Salvação às pessoas. É preciso ter convicção de que pregamos a verdade, o Evangelho. Para Paulo, o Evangelho não era a igreja, nem movimento religioso ou espiritual, nem movimento apostólico, não são os membros, nem é qualquer movimento que se queira, mas é Jesus.  Ele sabia que Deus traria resultados. Precisamos ter convicção plena na ação de Deus e nos resultados que Ele dará.

Elementos essenciais para o verdadeiro crescimento de uma igreja – A igreja cresce através do Poder de Deus (v. 1-5a) – não por nossa força, Deus é quem traz o crescimento. A igreja cresce, por causa do Espírito Santo (v.5b) – “Nós podemos convencer o homem de que ele moralmente é imperfeito, mas não podemos convencê-lo de que está perdido. Isto é tarefa do Espírito Santo, somente o Espírito pode convencer o homem de que ele está perdido e que precisa de um salvador, ou seja, do evangelho, de Jesus Cristo!” (Francis Shaffer). E, por fim, para igreja crescer verdadeiramente é preciso ter: A certeza da ação de Deus (v.5c) – Na verdade anunciamos, na ação de Deus e nos resultados.

 Aplicações finais:

1- O poder é de Deus e sua Palavra – Não posso me vangloriar ou chamar a glória pra mim, só porque alguém creu por meu intermédio.

2- Sou instrumento de Deus para o crescimento da igreja – Algumas pessoas pensam que somente o pastor é responsável para fazer a igreja crescer. Mas não é assim na Bíblia (cf At 2). A igreja cresce num corpo, porque somos morada do Espírito Santo.

3- Eu tenho que confiar naquilo que anuncio – Ter convicção de que quando eu pregar, Deus vai agir.

Que ele nos faça instrumentos poderosos em Suas mãos para levar a mensagem de salvação ao mundo. Amém!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Nossa meditação na ira de Deus.


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Por A. W. Pink


A nossa prontidão ou a nossa relutância em meditar na ira de Deus é um teste seguro de até que ponto os nossos corações reagem à Sua influência. Se não nos regozijamos verdadeiramente em Deus, pelo que Ele é em Si mesmo, e por todas as perfeições que nEle há eternamente, como poderá permanecer em nós o amor de Deus? Cada um de nós precisa vigiar o mais possível em oração contra o perigo de criar em nossa mente uma imagem de Deus segundo o modelo das nossas inclinações pecaminosas. Desde há muito o Senhor lamentou: "...pensavas que (eu) era como tu" (Sl 50:21). Se não nos alegramos "...em memória da sua santidade" (Sl 97:12), se não nos alegramos por saber que num dia que logo vem, Deus fará uma demonstração suma­mente gloriosa da Sua ira, tomando vingança em todos os que agora se opõem a Ele, é prova positiva de que os nossos corações não estão sujeitos a Ele, que ainda permanecemos em nossos pecados, rumo às chamas eternas. 

"Jubilai, ó nações (gentios), com o seu povo, porque vingará o sangue dos seus servos, e sobre os seus adversários fará tornar a vingança..." (Dt 32:43). E ainda lemos: "E, depois destas coisas, ouvi no céu como "que uma grande voz de uma grande multidão, que dizia: Aleluia; Salvação, e glória, e honra, e poder pertencem ao Senhor nosso Deus; Porque verdadeiros e justos são os seus juízos, pois julgou a grande prostituta, que havia corrompido a terra com a sua prostituição, e das mãos dela vingou o sangue dos seus servos. E outra vez disseram: Aleluia..." (Ap 19:1 -3). Grande será o regozijo dos san­tos naquele dia em que o Senhor irá vindicar a Sua majestade, exercer o Seu domínio formidável, magnificar a Sua justiça, e derribar os orgulhosos rebeldes que ousaram desafiá-lO.

Fonte: Os Atributos de Deus, A. W. Pink.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

O Avivamento Que Precisamos


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Somos abençoados quando nos aproximamos de Deus através da oração. Sentimos tristeza ao perceber que muitas igrejas demonstram tão pouca importância à oração coletiva. De que maneira receberemos alguma bênção, se nos mostramos negligentes em pedi-la? Podemos aguardar um Pentecostes, se jamais nos reunimos uns com os outros, a fim de esperar no Senhor? Irmãos, nossas igrejas nunca serão melhores, enquanto os crentes não estimarem intensamente a reunião de oração. Mas, estando reunidos para oração, de que maneira devemos orar?
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Tenhamos cuidado para não cair no formalismo, pois estaremos mortos, imaginando que possuímos vida. Não duvidemos, motivados por incredulidade, ou estaremos orando em vão. Oh! Que tenhamos fé imensa, para com ela apresentarmos a Deus grandes súplicas! Temos misturado o louvor e a oração como um precioso composto de especiarias, adequado para ser oferecido sobre o altar de incenso por intermédio de Cristo, nosso Senhor. Não poderíamos agora apresentar- Lhe uma súplica especial, de maior alcance? Parece a mim que deveríamos orar em favor de um verdadeiro e puro avivamento em todo o mundo.

UM AVIVAMENTO GENUÍNO E DURADOURO

Regozijo-me com quaisquer evidências de vida espiritual, ainda que sejam entusiásticas e temporárias, e não sou precipitado em condenar qualquer movimento bem-intencionado. Contudo, tenho bastante receio de que muitos dos chamados avivamentos, em última análise, causaram mais danos do que benefícios. Uma espécie de loteria religiosa tem fascinado muitos homens, trazendo-lhes repúdio pelo bom senso da verdadeira piedade. Não desejo menosprezar o ouro genuíno, ao desmascarar as falsificações. Longe disso. Acima de tudo, desejamos que o Senhor envie-nos um verdadeiro e duradouro avivamento espiritual. Precisamos de uma obra sobrenatural da parte do Espírito Santo, trazendo poder à pregação da Palavra, motivando com vigor celestial todos os crentes, afetando solenemente os corações dos indolentes, para que se convertam a Deus e vivam. Se este avivamento acontecesse, não seríamos embriagados pelo vinho do entusiasmo carnal, mas cheios do Espírito. Contemplaríamos o fogo dos céus manifestando-se em resposta às fervorosas orações de homens piedosos. Não podemos rogar que o Senhor, nosso Deus, revele seu poderoso braço aos olhos de todos os homens nestes dias de declínio e vaidade?

ANTIGAS DOUTRINAS

Queremos um avivamento das antigas doutrinas. Não conhecemos uma doutrina bíblica que, no presente, não tenha sido cuidadosamente prejudicada por aqueles que deveriam defendê-la. Há muitas doutrinas preciosas às nossas almas que têm sido negadas por aqueles cujo ofício é proclamá-las. Para mim é evidente que necessitamos de um avivamento da antiga pregação do evangelho, tal como a de Whitefield e de Wesley. As Escrituras têm de se tornar o infalível alicerce de todo o ensino da igreja; a queda, a redenção e a regeneração dos homens precisam ser apresentadas em termos inconfundíveis.

DEVOÇÃO PESSOAL
Necessitamos urgentemente de um avivamento da devoção pessoal. Este é, sem dúvida, o segredo do progresso da igreja. Se os crentes perdem a sua firmeza, a igreja é arremessada de um lado para o outro. Quando eles permanecem firmes na fé, a igreja continua fiel ao seu Senhor. O futuro da igreja, nas mãos de Deus, depende de pessoas que na realidade são espirituais e piedosas. Oh! Que o Senhor levante mais homens genuinamente piedosos, vivificados pelo Espírito Santo, consagrados ao Senhor e santificados pela verdade! Irmãos, cada um de nós precisa viver, para que a igreja continue viva. Temos de viver para Deus, se desejamos ver a vontade do Senhor prosperar em nossas mãos. Homens consagrados tornam-se o sal da sociedade e os salvadores da raça humana.

ESPIRITUALIDADE NO LAR

Necessitamos profundamente do avivamento da espiritualidade no lar. A família cristã era o baluarte da piedade na época dos puritanos; mas, nesses dias maus, centenas de famílias chamadas cristãs não realizam adoração no lar, não estabelecem restrições, nem ministram qualquer disciplina e ensino aos seus filhos. Como podemos esperar que o reino de Deus prospere, quando os discípulos de Cristo não ensinam o evangelho a seus próprios filhos? Ó homens e mulheres crentes, sejam cuidadosos naquilo que fazem, sabem e ensinam! Suas famílias devem ser treinadas no temor do Senhor, e sejam vocês mesmos “santos ao Senhor”. Deste modo, permanecerão firmes como uma rocha no meio das ondas de terror que surgirão e da impiedade que nos assedia.

INTENSO E CONSAGRADO PODER

Desejamos um avivamento de intenso e consagrado poder. Tenho suplicado por verdadeira piedade; agora imploro por um de seus mais nobres resultados. Precisamos de santos. Precisamos de mentes graciosas, experimentadas em uma elevada qualidade de vida espiritual resultante de freqüente comunhão com Deus, na quietude. Os santos adquirem nobreza por meio de sua constante permanência no lugar onde se encontram com o Senhor. É aí que adquirem o poder na oração que tanto necessitamos. Oh! Que o Senhor levante na igreja mais homens como John Knox, cujas orações causavam à rainha Maria mais terror do que 10.000 soldados! Oh! Que tenhamos mais homens como Elias, que através de sua fé abriu e fechou as janelas dos céus! Esse poder não surge por meio de um esforço repentino; resulta de uma vida devotada ao Deus de Israel. Se toda a nossa vida for pública, teremos uma existência insignificante, transitória e ineficaz. Entretanto, se mantivermos intensa comunhão com Deus, em secreto, seremos poderosos em fazer o bem. Aquele que é um príncipe com Deus ocupará uma posição nobre entre os homens, de acordo com a verdadeira avaliação de nobreza. Estejamos atentos para não sermos pessoas dependentes de outras; nos esforcemos para descansar em nossa verdadeira confiança no Senhor Jesus. Que nenhum de nós caia numa situação de infeliz e medíocre dependência dos homens! Desejamos ter entre nós crentes firmes e resistentes, assim como as grandes mansões que permanecem, de geração em geração, como pontos de referência de nosso país; não almejamos crentes semelhantes a casas de saibro, e sim a edifícios bem construídos, capazes de suportar todas as intempéries e desafiar o próprio tempo.
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Se na igreja tivermos um exército de homens inabaláveis, firmes, constantes e sempre abundantes na obra do Senhor, a glória da graça de Deus será claramente manifestada, não somente neles mesmos, mas também naqueles que vivem ao seu redor. Que o Senhor nos envie um avivamento de poder consagrado e celestial! Pregue por intermédio de suas mãos, se você não pode pregar por meio de seus lábios. Quando os membros de nossas igrejas demonstrarem o fruto de verdadeira piedade, imediatamente encontraremos pessoas perguntando qual a árvore que produz esse fruto. A oração coletiva dos crentes é a primeira parte de um Pentecostes; a conversão dos pecadores, a outra. Começa somente com “uma reunião de oração”, mas termina com um grande batismo de milhares de convertidos. Oh! Que as orações dos crentes se tornem como ímãs para os pecadores! E que o reunir-se de homens piedosos seja uma isca para atrair os homens a Cristo! Venham muitas pessoas a Jesus, porque vêem outros correrem em direção a Ele. “Senhor, afastamos nosso olhar desses pobres e tolos procrastinadores e buscamos a Ti, rogando-Te que os abençoes com o teu onisciente e gracioso Espírito. Senhor, converte-os, e eles serão convertidos! Através de sua conversão, rogamos que um avivamento comece hoje mesmo. Que este avivamento se espalhe por todas as nossas casas e, depois, pela igreja, até que todos os crentes sejam inflamados pelo fogo que desce dos céus!”
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Por: C.H. Spurgeon (O Príncipe dos Pregadores).
Extraído da revista Fé para Hoje, número 13, Ano 2001, publicada pela Editora FIEL.
Publicado também no Monergismo

Via: [ Orthodoxia ]
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