domingo, 6 de maio de 2012

AS ORIGENS DO PRESBITERATO NA IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL




Por Alderi Souza de Matos

O objetivo deste artigo é, inicialmente, fazer algumas breves considerações sobre o presbiterato na Bíblia e no movimento reformado. Em seguida, descreve-se como surgiu esse ofício nas primeiras igrejas presbiterianas do Brasil e nos primeiros concílios da nova denominação, até a criação do Sínodo, em 1888. Por fim, são fornecidos alguns dados sobre presbíteros que se destacaram no período inicial dahistória do presbiterianismo brasileiro.


1. O presbiterato bíblico e reformado

Os primórdios do presbiterato são muito antigos na tradição judaico-cristã. Os primeiros presbíteros foram os anciãos, mencionados muitas vezes no Antigo Testamento a começar da época do Êxodo. Eram os representantes do povo, sendo por isso mesmo denominados “anciãos de Israel” (Êx 3.16), “anciãos do povo” (Êx 19.7) e “anciãos da congregação” (Lv 4.15). Eles exerciam importantes funções de liderança e participaram dos eventos mais significativos da história de Israel, sendo escolhidos por sua sabedoria, maturidade e discernimento. Deviam proteger o povo, exercer disciplina, fazer cumprir a lei de Deus e administrar a justiça. Esses anciãos judeus serviram de modelo para os presbíteros cristãos.

As primeiras igrejas do Novo Testamento logo começaram a ser governadas por presbíteros eleitos pelas comunidades. No livro de Atos dos Apóstolos, nós os vemos administrando recursos materiais, julgando questões doutrinárias e resolvendo conflitos. Atos 14.23 é a primeira passagem que fala sobre a instituição do presbiterato em igrejas locais. Fica claro que o apóstolo Paulo seguia essa prática nas igrejas que estavam sob sua responsabilidade (Tt 1.5). Na valiosa passagem de Atos 20.17-35, os presbíteros são instruídos acerca do significado e das atribuições do seu nobre ofício. A grande relevância do presbiterato cristão também é ressaltada em textos como 1 Timóteo 3.1-7 e 1 Pedro 5.1-4.

A Reforma Protestante restaurou o presbiterato cristão ao seu modelo bíblico original. Isso aconteceu de modo especial na Reforma Suíça ou Movimento Reformado, cujos líderes iniciais foram Ulrico Zuínglio e João Calvino. No princípio, os presbíteros tinham funções quase que exclusivamente disciplinares, mas aos poucos surgiu um entendimento mais abrangente do seu ofício, para incluir responsabilidades administrativas e pastorais. Influenciado pelo colega mais velho Martin Bucer, Calvino propôs quatro tipos de oficiais para as igrejas reformadas: pastores, mestres, presbíteros e diáconos. Com pequenas diferenças, esse modelo (com os pastores concentrando também a função de mestres) foi adotado por todas as igrejas reformadas através da Europa, principalmente na França, Holanda e Escócia.

Forma de Governo Eclesiástico Presbiterial (1645), um dos documentos aprovados pela Assembléia de Westminster, declarou o seguinte: “Como havia na igreja judaica anciãos do povo unidos aos sacerdotes e aos levitas no governo da igreja, assim Cristo, que instituiu o governo e líderes na igreja, supriu alguns em sua igreja, alémdos ministros da Palavra, com dons de governo e com o encargo de exercê-los quando para isso chamados, os quais devem associar-se ao ministro no governo daigreja, oficiais esses que as igrejas reformadas geralmente denominam presbíteros”. Ver também a Confissão de Fé de Westminster, 31.1. As igrejas presbiterianas norte-americanas adotaram desde o início o presbiterato, levando-o para os países onde realizaram trabalho missionário, como o Brasil. Ao criar-se o Sínodo da IgrejaPresbiteriana do Brasil (1888), foi adotado o Livro de Ordem da Igreja do Sul dosEstados Unidos (PCUS), com sua forte ênfase no ofício presbiterial.


2. Os presbíteros das igrejas pioneiras

Levou algum tempo para que os presbíteros começassem a ocupar o seu devido lugar na estrutura da igreja presbiteriana brasileira. Na fase de implantação do presbiterianismo nacional, as necessidades da obra missionária fizeram com que as primeiras igrejas fossem organizadas ao serem recebidos os primeiros membros, ficando para mais tarde a eleição de oficiais. Foi o que aconteceu com a primeira comunidade presbiteriana em solo pátrio, a Igreja do Rio de Janeiro, organizada por Ashbel Green Simonton em 12 de janeiro de 1862, com apenas dois membros. Os primeiros oficiais somente foram eleitos quatro anos mais tarde, em 1866. No dia 2 de abril daquele ano houve a eleição de três diáconos e em 7 de julho, de dois presbíteros: o irlandês William Richard Esher (†1901), que havia freqüentado aIgreja Evangélica Fluminense (congregacional), e o português Pedro Perestrello daCâmara (1839-1937), primo do futuro Rev. Modesto Carvalhosa. A ordenação ocorreu dois dias depois, em 9 de julho, surgindo assim a Sessão ou Conselho. Esses foram os primeiros presbíteros regentes da Igreja Presbiteriana do Brasil.

Passaram-se oito anos antes que a igreja elegesse novos presbíteros – Dr. Miguel Vieira Ferreira e Cândido Joaquim de Mesquita. Isso ocorreu no dia 17 de setembro de 1874, poucos meses após a inauguração do templo da Travessa da Barreira. A ordenação solene foi realizada no dia 4 de outubro, permitindo o reinício das atividades da Sessão. Desde essa época até o centenário da igreja, em 1962, o Conselho reuniu-se mais de 1620 vezes. Em 14 de janeiro de 1875, foram eleitos outros dois presbíteros, João Batista Gomes Garcia e Antônio da Cunha Vasconcelos, que foram ordenados em 7 de fevereiro. Nova eleição de presbíteros ocorreu em 13 de outubro de 1881, sendo escolhidos José de Azevedo Granja, Manuel José Ferreira e William Gore Baker. Os próximos presbíteros a serem eleitos foram Júlio de  Oliveira (1887), Dr. Francisco Barreto e João Braga (1892), Jorge Frederico Baker e João Cardoso (1896). No longo pastorado do Rev. Álvaro Reis (1897-1925), aumentou consideravelmente o número de presbíteros da igreja-mãe.

Em 1867, um ano após a eleição dos primeiros oficiais no Rio de Janeiro, a Igreja de São Paulo, organizada em 5 de março de 1865, também passou a ter o seu primeiro presbítero, o inglês William Dreaton Pitt (1828-1870). Ele havia sido o primeiro colaborador do pioneiro congregacional, Robert Reid Kalley, no Rio de Janeiro, bem como um dos membros fundadores da Igreja Evangélica Fluminense (1858) e um dosprimeiros presbíteros dessa igreja (1862). Indo para São Paulo, tornou-se grande auxiliar do Rev. Alexander Latimer Blackford, sendo eleito presbítero da igrejapaulista no dia 15 de dezembro de 1867 e ordenado no dia 22, três dias antes davolta de Blackford para o Rio de Janeiro, onde foi substituir Simonton, falecido recentemente. No final de 1868, Pitt foi residir em Itaqueri, nas proximidades de Brotas, onde se dedicou ao trabalho evangelístico. Foi ordenado pastor em 16 de agosto de 1869, durante a 5ª reunião do presbitério, mas faleceu seis meses mais tarde, em 13 de março de 1870, com apenas 42 anos de idade. Pitt foi o primeiro presbítero regente a alcançar o ministério na história da IPB.

Com a saída de Pitt, a Igreja de São Paulo ficou sem presbítero por doze anos! Finalmente, no dia 3 de outubro de 1880 foi eleito para o presbiterato o diácono Manoel José Rodrigues da Costa, ordenado em 9 de janeiro seguinte. Manoel daCosta exerceu esse ofício com dedicação e competência por muitos anos. Manoel daPaixão foi eleito em 23 de março de 1884 e ordenado em 13 de abril. No dia 2 de maio de 1886, foram eleitos Remígio de Cerqueira Leite e Isidro Bueno de Camargo, que haviam sido diáconos (foram ordenados no dia 25 do mesmo mês). Outro antigo presbítero da Igreja de São Paulo foi o médico Dr. Nicolau Soares do Couto Esher (1867-1943), filho do primeiro presbítero da Igreja do Rio. A Igreja de Brotas, a terceira comunidade presbiteriana em solo brasileiro, elegeu os seus primeiros presbíteros em 1875, dez anos após a organização. Foram eles Joaquim José de Gouvêa e Henrique Gomes de Oliveira. No ano seguinte foi eleito Manoel Pereira de Toledo Magalhães. Os primeiros presbíteros da Igreja Unida de São Paulo foram Augustus Farnham Shaw, André Jensen e Francisco Palmiro Ruggeri (1900); em seguida, Antônio Gomes da Silva Rodrigues (1901) e Dr. Eliézer dos Santos Saraiva (1903).


3. Os primeiros concílios

Quando foi organizado o primeiro concílio da IPB, o Presbitério do Rio de Janeiro, no dia 16 de dezembro de 1865, não houve a presença de presbíteros. Somente na 4ª reunião do presbitério, realizada em São Paulo nos dias 5 a 8 de agosto de 1868, esteve presente o único presbítero da capital paulista – William D. Pitt. Essa foi a primeira vez na história da IPB em que um presbítero tomou assento em um concílio. Por vários anos, o presbitério voltou a reunir-se somente com pastores. Em agosto de 1875, na 11ª reunião presbiterial, realizada em Rio Claro, compareceu o presbítero Belisário Correia Leite, da Igreja de Borda da Mata, em Minas Gerais. Na 12ª reunião (1876), no Rio de Janeiro, esteve presente o Dr. Miguel Vieira Ferreira,da Igreja do Rio, e na 13ª reunião (1877), na mesma cidade, João Batista Gomes Garcia, também da igreja-mãe. Na 14ª reunião (1878), em São Paulo, compareceram onze pastores e apenas um presbítero, Cândido Joaquim de Mesquita, do Rio de Janeiro, candidato ao ministério. Na 15ª reunião (1879), no Rio de Janeiro, novamente compareceu o presbítero Garcia, da capital do Império.

Na reunião de 1880, realizada em São Paulo, estiveram presentes um presbítero de Rio Claro (Severino José de Gouvêa) os três de Brotas, sendo um titular e dois correspondentes (Henrique Gomes de Oliveira, Joaquim José de Gouvêa e Manuel Pereira de Toledo Magalhães). Na reunião de 1881, tomaram assento Manoel daCosta (São Paulo), Manuel Pereira de Toledo Magalhães (agora de Lençóis) e Henrique Gomes (Brotas); na reunião de 1883, José de Azevedo Granja (Rio), Manoelda Costa (São Paulo) e João Antunes de Moura (Itapeva). Na reunião de 1884 aumentou a representação de presbíteros: Manoel da Paixão (São Paulo), Henrique Gomes (Brotas), João Antunes de Moura (Itapeva), João Batista de Aguiar (Sorocaba) e Herculano de Gouvêa (Rio Claro). Na reunião de 1885, em Sorocaba, estiveram Francisco Rodrigues Pacheco (Sorocaba), Manoel da Costa (São Paulo), José Rodrigues de Carvalho (Itapeva) e Francisco de Paula Rodrigues (Lençóis); na reunião de 1886, José de Azevedo Granja (Rio), Domingos Roque (Campos) e Francisco de Assis Dias (Cabo Verde); na reunião de 1887, Manoel da Costa (São Paulo), Antônio de Pádua Dias (Cabo Verde), Manuel Ribeiro dos Santos (Rio Claro), Francisco Rodrigues Pacheco (Sorocaba), João David Muzel (Guareí), João Antunes de Moura (Itapeva) e João Vieira Bizarro (São Carlos).

Ao criar-se o antigo Presbitério de São Paulo, de curta existência (1872-1877), ligado à Igreja do Sul dos Estados Unidos (PCUS), participaram, além de quatro missionários, dois presbíteros norte-americanos: William P. McFadden (Santa Bárbara) e James McFadden Gaston (Campinas). O Dr. Gaston era médico e clinicou em Campinas por vários anos. Foi sogro dos Revs. Alexander Blackford e John B. Kolb. Poucos presbíteros participaram da organização de três presbitérios surgidos em 1888: do Presbitério de Pernambuco, William Calvin Porter; do Presbitério de Minas, Flamínio Augusto Rodrigues e João Vieira Bizarro; do Presbitério de São Paulo, Manoel da Costa. Quando foi organizado o Sínodo da Igreja Presbiteriana do Brasil (1888), no Rio de Janeiro, compareceram os presbíteros Manoel da Costa (São Paulo), José de Azevedo Granja (Rio de Janeiro), João da Mata Coelho (Cruzeiro), William Calvin Porter (Recife), José Antônio de Lemos (Itatiba), Antônio da Silva Rangel (Mogi-Mirim) e Flamínio Rodrigues (Campinas), este último tendo como suplente Álvaro Reis.


4. Alguns presbíteros destacados

Obviamente, foram muitos os presbíteros que deram contribuições relevantes nos primeiros tempos do presbiterianismo no Brasil. A título de exemplo, vale mencionar os seguintes. Minervino Ribeiro Pessoa Lins (1841-1931) foi membro fundador e primeiro presbítero da Igreja da Paraíba (João Pessoa), organizada em 1884; foi o primeiro presbítero a ser moderador de um presbitério (Presbitério de Pernambuco, 1896). João Antunes de Moura (1849-1928) era presbítero em Itapeva, no sul de São Paulo, e teve participação ativa nos concílios da igreja nacional. Joaquim Honório Pinheiro (1852-1934) era oriundo da Igreja de Brotas e foi presbítero em Dois Córregos e São Paulo; atuou como tesoureiro das Missões Nacionais e prestou muitos serviços à igreja. João da Silva Dourado (1854-1927) foi presbítero no interiorda Bahia, na cidade que hoje tem o seu nome. Tertuliano Goulart (1855-1939) foi jornalista e presbítero em Araguari, no Triângulo Mineiro. José Custódio da Veiga (1861-1954), de Nepomuceno, foi um dos primeiros presbíteros do sul de Minas.

Jorge Frederico Baker (1862-1949) foi o esteio da obra presbiteriana em Niterói. Willis Roberto Banks (1864-1942) foi o pioneiro do presbiterianismo no vale do Ribeira, em São Paulo. Joaquim Ribeiro dos Santos (1865-1954) foi grande amigo e auxiliar dos pastores e missionários, e prestou muitos serviços às causas da igreja. Myron August Clark (1866-1920) tornou-se presbítero da Igreja do Riachuelo, no Rio de Janeiro; trouxe para o Brasil a Associação Cristã de Moços (ACM). Guilherme Klopffleisch (1867-1955), nascido na Alemanha, auxiliou a obra presbiteriana no Paraná. Eliézer dos Santos Saraiva (1879-1944), da Igreja Unida de São Paulo, foi grande entusiasta da Escola Dominical e do Esforço Cristão. Gustavo Dias de Assumpção (1881-1923) serviu como tesoureiro da Igreja Presbiteriana do Brasil. Também é importante lembrar que vários antigos presbíteros se tornaram pastores: William D. Pitt (1869), Álvaro Reis (1889), William Calvin Porter (1889), João Vieira Bizarro (1891), Herculano de Gouvêa (1891), Flamínio Augusto Rodrigues (1893) e José de Azevedo Granja (1897), entre outros.


Conclusão

Deste levantamento conclui-se como tem sido relevante o presbiterato à luz das Escrituras e da história do cristianismo. Importante no Antigo e no Novo Testamento, esse ofício foi altamente valorizado pela Reforma e pela tradição reformada. No Brasil, após uma demora inicial, motivada pelas circunstâncias do período pioneiro, os presbíteros progressivamente ocuparam uma posição de grande destaque na estrutura da Igreja Presbiteriana. Esperamos que, motivados por essa história e pelos exemplos desses valorosos servos do passado, os presbíteros atuais se sintam ainda mais motivados e incentivados a exerceram fielmente o elevado encargo para o qual Deus os vocacionou.

sábado, 5 de maio de 2012

A ORIGEM DO OFÍCIO DE DIÁCONO


A definição do ofício de diácono

O substantivo diácono procede da palavra grega diakonós. Esta palavra ocorre 29 vezes no Novo Testamento, podendo significar:[1]
a)servo Mt 20:26; 22:13; Mc 9:35
b)garçom Jo 2:5,9
c)ministro Rm 13:4
d)auxiliar 2 Co 6:4; Ef 6:21; Cl 1:23,25; 1 Tm 4:6
e)oficial Fp 1:1; 1 Tm 3:8,12

O lexicógrafo J.H. Thayer define esta palavra como “aquele que executa as ordens de outro como um servo, atendente, ou ministro.”[2] Noutro lugar ele nos fornece outra definição mais completa como sendo “aquele que em virtude do ofício designado pela igreja, auxilia aos pobres, recebendo e distribuindo o dinheiro, que para este fim é coletado.”[3] Todavia, esta definição segue a prática da Igreja em seus primeiros séculos. A estrutura da nossa denominação embora não negue a responsabilidade do diaconato de exercer a assistência social, não recomenda nem estimula o seu manuseio financeiro deixando este para o Conselho. A definição de Thayer demonstra alguma deficiência e limitação do ofício do diácono.

Notemos ainda que, segundo William D. Mounce o verbo grego diakonéwsignifica “atender, cuidar, servir Mt 8:15; Mc 1:31; Lc 4:39; [...] ministrar, ajudar, dar assistência ou suplicar pelo indispensável à vida, providenciar os meios para se viver Mt 4:11; Mt 27:55; Mc 1:13; Mc 15:41; Lc 8:3.”[4] Esta definição é preferível por mostrar-se mais satisfatória as necessidades da Igreja.

A origem dos diáconos no Novo Testamento

Encontramos a narrativa histórica da origem do diaconato em At 6:1-6. Alguns estudiosos, entretanto, negam que esta passagem se refira à origem do ofício, alegando o fato de não haver menção da palavra “diácono” no texto. Todavia, podemos crer que esta passagem seja a narrativa da instituição do diaconato levando em consideração os seguintes argumentos que Louis Berkhof apresenta:
1. O nome diakonoi que, antes do evento narrado em Atos 6, era sempre empregado no sentido geral de servo ou servidor, subseqüentemente começou a ser empregado como designativo daqueles que se dedicavam às obras de misericórdia e caridade, e, com o tempo, veio a ser usado exclusivamente neste sentido. A única razão que se pode atribuir a isto acha-se em Atos 6.
2. Os sete homens ali mencionados foram encarregados da tarefa de distribuir bem as dádivas trazidas para as agapae (festas de amor cristão), ministério que noutras partes é particularmente descrito pela palavra diakonia, At 11:29; m 12:7; 2 Co 8:4; 9:1,12-13; Ap 2:19.
3. Os requisitos para o ofício, como são mencionados em Atos 6, são muitos exigentes, e nesse aspecto, concordam com as exigências mencionadas em 1 Tm 3:8-10. (4) Muito pouco se pode dizer em favor da acariciada idéia de alguns críticos de que o diaconato só foi desenvolvido mais tarde, mais ou menos na época do aparecimento do ofício episcopal.[5]

A tradição cristã reconheceu nesta decisão apostólica a origem do diaconato:
1. Irineu de Lião (130-200 d.C.) em seu livro “Contra as Heresias” 1:26; 3:12; 4:15.
2. Cipriano (200-258 d.C.) em suas “Epístolas” 3:3.
3. Eusébio de Cesaréia (260-340 d.C.) declara em sua “História Eclesiástica” que ali “foram igualmente destacados pelos apóstolos, com oração e imposição de mãos, homens aprovados para o ofício de diáconos, para o serviço público”.[6]

Mesmo numa leitura artificial da passagem de At 6:1-6 é possível verificar um problema de omissão na “mesa das viúvas dos gentios”. Esta omissão certamente não era proposital, pois os apóstolos sendo apenas “os doze” não podiam suprir todos os novos convertidos no ministério de ensino da Palavra de Deus, e ao mesmo tempo “servindo as mesas”. Há pelo menos quatro motivos que podemos enumerar para a instituição do diaconato:
1. Para evitar a desordem nos relacionamentos da Igreja. Surgia o grave problema da murmuração.
2. Para evitar que houvesse partidos dentro da Igreja. A omissão às mesas das viúvas enfatizava as diferenças entre o grupo dos judeus helênicos e judeus palestinos.
3. Para evitar a injustiça na distribuição de alimentos e donativos aos necessitados.
4. Para que os mestres da Palavra sejam dedicados no ensino da mesma. É importante observarmos que os apóstolos não estavam rejeitando o “servir às mesas das viúvas”. John R. W. Stott faz uma importante contribuição ao entendimento deste assunto ao dizer que “não há aqui nenhuma sugestão de que os apóstolos considerassem a obra social inferior à obra pastoral, ou de que a achassem pouco digna para eles. Era apenas uma questão de chamado. Eles não poderiam ser desviados de sua tarefa prioritária”.[7]

Charles R. Erdman sugere algumas idéias sobre a necessidade do diaconato na Igreja Cristã. Vejamos que:
(1) É dever óbvio da Igreja, em toda parte, provar às necessidades dos seus membros.
(2) Essa provisão exige clarividência e cautela, para que os que mais precisam não sejam omitidos.
(3) A administração de tais socorros precisa incluir contato e simpatia pessoais. Não é coisa que se deva fazer mecanicamente, ou porque seja praxe. São socorros que devem resultar em conforto espiritual e, se possível, devem levar as pessoas a ficar em condições de poder dispensá-los mais adiante.
(4) Esse trabalho requer a designação de oficiais especializados. “O ministro” deve ser desembaraçado das particularidades que cercam o levantamento e a aplicação de dinheiro entre os membros de sua Igreja.
(5) Ao ministro se deve permitir que se empregue seu tempo no estudo, na prédica e na oração.
(6) O socorro dos pobres, ou seja a assistência social, de qualquer que seja a natureza, jamais deve tomar o lugar do esforço evangelístico.
(7) Na Igreja todos os seus oficiais são “ministros” ou “servos”, na verdadeira acepção do termo; não são dominadores. E qualquer que seja a forma do serviço, devem procurar fazer dele um meio de testemunhar de Cristo, o que aliás vem sugerido nos episódios de Estevão e Filipe, dois diáconos cujo testemunho constitui uma parte significativa da história que se segue imediatamente.[8]

Notas:
[1] F.W. Gingrich & F.W. Danker, Léxico do N.T. Grego/Português (São Paulo, Ed. Vida Nova, 1993), p. 53
[2] J.H. Thayer, Thayer’s Greek-English Lexicon of the New Testament(Grand Rapids, Associeted Publishers and Authors Inc., 1889), p. 138
[3] Ibidem.
[4] William D. Mounce, The Analytical Lexicon to the Greek New Testament(Grand Rapids, Zondervam Publishing House, 1992), p. 138
[5] Louis Berkhof, Teologia Sistemática (Campinas, LPC, 1990), p. 591.
[6] Eusébio de Cesaréia, História Eclesiástica (Rio de Janeiro, CPAD, 1999), Livro 2. Cap. 1, p. 47
[7] John W.R. Stott, A Mensagem de Atos (São Paulo, Ed. ABU, 1994), p. 134
[8] Charles R. Erdman, Atos dos Apóstolos (São Paulo, Casa Editora Presbiteriana, 1960), pp. 58-59

Rev Ewerton B. Tokashiki

BÍBLIA COMO REVELAÇÃO DE DEUS



Escrito por H. Henry Meeter


Deus possui outro livro além da criação: a Bíblia. No princípio existia somente um livro, uma só revelação de Deus: a natureza. E no mundo vindouro de novo não haverá mais do que um livro: a nova natureza, na qual o homem verá a Deus e a sua vontade revelada. Os redimidos na eternidade, do mesmo que Adão, terão clara revelação da vontade de Deus em seus corações e da natureza que os cerca, e não terão, consequentemente, nenhuma necessidade de uma revelação especial como é a Bíblia.

Há um fato que explica o motivo da necessidade deste segundo livro: a Bíblia, ou revelação especial de Deus; este livro foi necessário por causa do pecado. Quando o homem caiu, tanto ele como a natureza mudou. A mente do homem chegou a entenebrecer-se de tal maneira, que não era capaz de ver as coisas tal como eram; e a natureza se viu alterada como parece deduzir-se da expressão: “produzirá também cardos e abrolhos” que encontramos no livro de Gênesis (Gn 3:18). Contudo, ainda hoje a natureza é um espelho em que se reflete a glória de Deus. Todavia, por causa do pecado pode-se dizer que este espelho esteja deformado. Como é sabido, um espelho torto reflete as coisas de uma forma grotesca e diferente de como realmente são. Como pode o homem agora com sua mente entenebrecida e numa natureza transtornada, descobrir a Deus de modo correto, ou chegar a conhecer a sua verdadeira natureza e propósito de sua existência? Estas se tornam as três perguntas fundamentais que o calvinista terá presente em sua cosmovisão.

Sob tais condições como pode o homem obter uma concepção adequada da realidade? A única solução seria se Deus desse outro livro: a Bíblia. Na Bíblia Deus revela ao homem de uma maneira clara e infalível a verdade sobre estes problemas, iluminando ao mesmo tempo com a luz do Espírito Santo a sua mente entenebrecida para que seja capaz de compreender as verdades bíblicas. Assim, podemos ver a relação que existe entre a Bíblia e o livro da natureza. A Bíblia não está no mesmo nível da natureza como revelação de Deus, senão que é um corretivo das ideias deformadas que possa dar-nos a natureza em seu estado decaído. Apresenta-nos uma revelação sobre Deus e o universo que a natureza não pode proporcionar de maneira adequada. Como disse Calvino, devemos olhar para a natureza através das lentes da Bíblia. Assim, pois, ainda que duas sejam as revelações que Deus deu as suas criaturas, a Bíblia constitui a máxima autoridade para uma cosmovisão. O cristão para interpretar corretamente a natureza e o mundo circundante necessita do enfoque bíblico.

Todavia, a Bíblia é mais do que um mero intérprete da natureza, já que ela contém uma revelação especial para a salvação do pecador. Esta informação tão importante não pode vir da natureza pela simples razão de que a natureza foi criada antes que se abrisse um caminho de salvação aos pecadores. Assim, como poderia a natureza informar-nos sobre isto? Contudo, ainda que a salvação do homem é na realidade o tema central da Bíblia, esta revelação está estreitamente vinculada a visão geral do universo e da vida humana.

Interpretaríamos mal o propósito da Bíblia se crêssemos que se trata de um mero livro de texto sobre diferentes conhecimentos. Não se trata disto. O estudante nos diferentes campos de investigação – natureza, história, psicologia, etc. – acumula evidência. Quando procede a interpretação ou de organizar esta evidência e a relacionar as verdades de alguma ciência em particular numa estrutura geral de conhecimentos, necessitará de interpretação unificadora das Escrituras. Não podemos ter uma concepção correta de Deus, do universo, do homem, ou da história sem a Bíblia.

Consequentemente, este livro além de mostrar-nos o caminho da salvação nos proporciona aqueles princípios que condicionarão toda a nossa vida, incluindo os nossos pensamentos e a nossa conduta moral. Não somente a ciência e a arte, senão que também a nossa vida familiar, os nossos negócios, os nossos problemas políticos e sociais devem estar processados e estruturados à luz e direção das verdades da Escritura.

Isto é assim, inclusive na filosofia. Pode-se supor que pelo fato da filosofia ser a ciência dos princípios, então que a filosofia cristã em última instância terá que fundamentar-se na razão e, tratará de todos os problemas da filosofia sobre uma base puramente racionalista, desprezando a Bíblia como autoridade final. Mas ainda aqui o calvinista não fundamenta a sua aceitação das verdades bíblicas em sua filosofia, pelo contrário, inicia com as verdades básicas da Bíblia para fundamentar a filosofia. A sua filosofia se fundamenta especificamente sobre a revelação. Da mesma maneira que todos os sistemas filosóficos partem de pressuposições básicas não provadas – hipóteses – assim, o cristão parte das verdades da revelação como pressupostos básicos. O proceder do calvinista não consiste em fundamentar a Bíblia na filosofia, senão que estrutura a sua filosofia cristã sobre a Bíblia.

Os princípios de fé e conduta que a Bíblia contém, do mesmo modo que as verdades do caminho da salvação surgem dentro de um contexto histórico vinculado aos acontecimentos dos homens e das nações. Consequentemente não se pode esperar que tudo o que a Bíblia ensina tenha o mesmo valor, e possa ser considerado como norma da vida para nossa conduta. Ela menciona alguns atos que na realidade são totalmente contrários a uma norma da vida padrão como, por exemplo, quando Absalão traiu de forma vergonhosa a seu pai Davi. Outras porções da Escritura contêm normas que não são para todas as épocas, senão que uma vigência específica num período ou ocasião determinada. Assim, Calvino nota que várias das leis civis de Moisés não eram para o nosso tempo, senão que encerram uma significação meramente transitória. Contudo, a Bíblia nos apresenta diretrizes básicas, ou princípios eternos à luz dos quais julga os atos históricos que contém, e nos insta a que também moldemos as nossas vidas. Estes princípios eternos se encontram não somente no Novo como também no Antigo Testamento.

Extraído de H. Henry Meeter, La Iglesia y el Estado (Grand Rapids, TELL, 1963), pp. 27-30.

AS FUNÇÕES DOS PRESBÍTEROS


As funções atribuídas aos presbíteros aqui descritas não são exaustivas. Elas mencionam o que o presbítero deve ser e fazer, mas ele não pode se limitar a elas. Todos os presbíteros devem exercer o seu ofício em conformidade com a diversidade dos dons de cada um, e discernindo segundo a necessidade da Igreja. A vitalidade da igreja muito depende da operosidade dos presbíteros.

Uma palavra grega usada para se referir ao ofício de presbítero éepiscopos. Sabemos que “o uso no N.T., em referência aos líderes, parece ser menos técnica do que uma tradução como ‘bispo’ sugeriria; daí, superintendente, ou supervisor At 20:28; Fp 1:1; 1 Tm 3:2; Tt 1:7.”[1] O presbítero tem a responsabilidade de supervisionar a igreja que o escolheu para ser o seu líder. Louis Berkhof afirma que “claramente se vê que estes oficiais detinham a superintendência do rebanho que fora entregue aos seus cuidados. Eles tinham que abastecê-lo, governá-lo e protegê-lo, como sendo a própria família de Deus.”[2]

A responsabilidade dos presbíteros de supervisão não se limita aos membros da igreja. Os presbíteros devem supervisionar o seu pastor. R.B. Kuiper observa que "um dos seus mais solenes deveres é vigiar a vida e o trabalho do pastor. Se o pastor não leva uma vida exemplar os presbíteros regentes da igreja devem chamar-lhe a atenção, e corrigi-lo. Se não é tão diligente em sua obra pastoral como deveria sê-lo, devem estimulá-lo para que tenha maior zelo. Se a falta de paixão que deve caracterizar a pregação da Palavra de Deus, os presbíteros regentes devem dar os passos necessários para ajudá-lo a superar tal defeito. E, se a pregação do pastor, em qualquer assunto de maior ou menor importância, não está de acordo com a Escritura, os presbíteros não devem descansar até que o mal tenha sido resolvido." [3] Entretanto, os presbíteros devem oferecer liberdade e recursos para que o seu pastor desenvolva-se e possa oferecer mais ao rebanho.

A autoridade do presbíteroA autoridade dos governadores é puramente ministerial e declarativa. Cada função do Conselho, como o ensino, a admoestação, governo e o exercício da disciplina, devem fundamentar-se na Palavra de Deus. Os presbíteros não possuem autoridade inerente. Não possuem o direito de impor as suas opiniões pessoais, preferências, filosofias sobre o culto, a doutrina, ou o governo da igreja, antes, devem examinar e extrair das Escrituras os padrões e princípios estabelecidos por Deus.

A autoridade do presbítero procede de:
1. A autoridade de Cristo como cabeça da Igreja.
2. Submissão à Cristo como o Senhor da Igreja.
3. A obediência e fidelidade à Escritura Sagrada como única regra de fé e prática.
4. Uma vida de santidade pessoal e familiar.
5. O exercício responsável da sua vocação e dos seus dons segundo o seu chamado.

As funções pastorais
1. Visitar os membros menos assíduos às reuniões da igreja;
2. Resolver os desentendimentos entre os membros;
3. Instar os disciplinados ao sincero arrependimento;
4. Orar por/com todas as famílias da igreja;
5. Consolar os aflitos e necessitados;
6. Supervisionar o bom andamento das atividades da igreja;
7. Exortar aos pais que tragam os seus filhos ao batismo;
8. Ser um pacificador em assuntos controversos;
9. Lembrar aos membros da sua fidelidade com os dízimos e ofertas;
10. Dar assistência e/ou liderar as congregações (quando houver);
11. Auxiliar na distribuição da Ceia do Senhor.

As funções doutrinárias
Os presbíteros em nosso sistema de governo têm a responsabilidade de guardarem a doutrina da corrupção. (1 Tm 3:16; Tt 2:7-8). Entretanto, para isto é necessário:
1. Conhecer o sistema e doutrinas presbiterianas;
2. Zelar pela fidelidade e pureza doutrinária da igreja;
3. Avaliar a qualificação doutrinária do pastor;
4. Examinar os candidatos ao rol de membros da igreja;
5. Discernir os novos “movimentos” que os membros estejam se envolvendo;

As funções administrativas (indivíduo)
1. Representar as necessidades dos membros nas reuniões do Conselho;
2. Zelar para que as decisões do Conselho sejam cumpridas pela igreja;
3. Lembrar os membros dos seus deveres e privilégios;
4. Acompanhar o funcionamento das sociedades e ministérios da igreja;
5. Elaborar propostas e projetos para a edificação da igreja.

As funções administrativas (concílio)
1. Reunir periodicamente para decidir sobre o bem estar da igreja;
2. Divulgar na igreja local as decisões dos concílios superiores (presbitérios, sínodo, SC);
3. Avaliar candidatos ao batismo e profissão de fé;
4. Participar na aplicação da disciplina bíblica para que atinja a sua finalidade;
5. Analisar se a Junta Diaconal está realizando as suas atribuições;
6. Acompanhar o bom andamento das sociedades internas e ministérios da igreja;
7. Avaliar para o envio ao presbitério os candidatos ao sagrado ministério pastoral;
8. Participar da ordenação e instalação de novos pastores e presbíteros;
9. Representar a igreja local nos concílios superiores.

Notas:
[1] F. Wilbur Gingrich & F.W. Danker, Léxico do N.T. Grego/Português (São Paulo, Ed. Vida Nova, 1993), p. 83.
[2] Louis Berkhof, Teologia Sistemática (Campinas, LPC, 1990), p. 590.
[3] R.B. Kuiper, El Cuerpo Glorioso de Cristo (Michigan, T.E.L.L., 1985), p. 132.

Rev. Ewerton B. Tokashiki

sexta-feira, 16 de março de 2012

LÍDER RELIGIOSO SAUDITA PEDE A "DESTRUIÇÃO DE TODAS AS IGREJAS CRISTÃS NA REGIÃO"

O grão-mufti fez sua afirmação em resposta a uma pergunta feita por uma delegação do Kuwait, em relação à posição de um membro do parlamento do Kuwait, que recentemente pediu a "remoção" de igrejas (mais tarde "esclareceu", dizendo que ele apenas quis dizer que nenhuma igreja deveria ser construída no Kuwait). Assim, o Grande Mufti ", sublinhou que o Kuwait é parte da Península Arábica, e por isso é necessário destruir todas as igrejas desse país."
Assim como fizeram os muitos grandes muftis antes dele, o Sheikh baseou sua declaração na famosa tradição, ou hadith** , onde o profeta do Islã declarou em seu leito de morte que "Não deve haver duas religiões na Península (árabica)". Esta afirmação normalmente é interpretada  como: O Islã é a unica religião que pode e deve ser praticada na região.
O Xeique Abdul Aziz bin Abdullah, não é apenas um muçulmano que odeia a Igreja. Ele é considerado o Grande Mufti da nação que traz ao mundo uma melhor compreensão sobre o Islã e suas leis. Além disso, ele é o presidente do Conselho Supremo dos Ulemas [estudiosos islâmicos] e presidente do Comitê Permanente para a Investigação Científica e emissão de fatwas (interpretações da lei islâmica-Sharia). Assim, quando se trata do que o Islã fala a respeito de determinados assuntos, suas palavras são muito respeitadas.
Para compreendermos um pouco o que sentem os muçulmanos ao ouvir tais palavras de seu líder religioso supremo, basta compararmos com a histeria que muitos ocidentais sentem quando são feitas ofenças ao Islã ou, por exemplo, se determinado pastor evangélico ou mesmo o Papa  (motivados por sentimentos radicais) declararassem que todas as mesquitas em determinado país do ocidente fossem destruídas. Por outro lado, é claro, a mídia ociental não perdoaria a atitude de tais lideranças cristãs fazendo a elas pesadas críticas de intolerância e desrespeito aos direitos humanos.
No entanto, os grão-muftis (as mais altas autoridades sobre a lei islâmica)  como o xeique Abdullah, da  Arábia Saudita, estão livres de tais críiticas (tanto da mídia local quanto da internacional) e recebem passe livre quando incitam os muçulmanos a destruir igrejas, não que qualquer incitamento extra seja necessário para que isso aconteça, mas contribui bastante.
“A omissão dos principais meios de comunicação, universidades, e da maioria dos políticos ocidentais sobre o que a Igreja Cristã tem enfrentado nos países de maioria muçulmana, demonstra o quão voltado o ocidente está, para os seus próprios interesses”.
Matéria de Raymond Ibrahim - membro associado do Fórum do Oriente Médio
* O Mufti é um estudioso islâmico a quem é reconhecida a capacidade de interpretar a lei islâmica (Sharia), e a capacidade de emitir fatwas.
 
** Hadith é um conjunto de leis, lendas e histórias sobre a vida do profeta Maomé, (estas histórias em Árabe são denomidas de Sunnah) e seus próprios dizeres nos quais ele justificou as suas escolhas ou ofereceu conselhos.
FonteJihad Watch
TraduçãoMarcelo Peixoto

quarta-feira, 14 de março de 2012

O PODER DA MÃE QUE ORA PELO FILHO!

Pode haver um presente melhor para uma mãe do que a salvação de seus filhos? No seu dia, querida mamãe, um chamado à oração e os nossos votos para que seja sempre uma mãe segundo o coração de Deus

Ser mãe é ser líder, pois ninguém influencia mais do que uma mãe.
A mãe carrega no coração, no ventre, nos braços, nos sonhos, nas orações… Nenhuma outra força na vida da criança é tão poderosa e influente como a mãe.
Muitos homens famosos foram influenciados por suas mães. A mãe de George Washington era uma mulher cristã piedosa, com profundo senso único. Seu filho foi o primeiro e um dos melhores presidentes dos EUA.
Por outro lado a mãe de Nero, era gananciosa, sensual e assassina, acabou sendo morta pelo próprio filho. Sem dúvida alguma a mãe pode influenciar seu filho tanto para o bem quanto para o mal.
Deus está procurando mães que encontrem tempo para orar pelos filhos. A pressa é um distintivo da nossa geração, não temos tempo, corremos o dia todo, vivemos sob o peso do estresse. Os pais não têm tempo para os filhos, a família deixou de ser prioridade, e por isso precisamos nos levantar em favor de nossos filhos e de nossa família.
Precisamos de mães que passem tempo orando, que falem de Deus para seus filhos e dos filhos para Deus.
Precisamos de mães que derramem o coração diante de Deus em fervente oração. Mães que passam mais tempo no altar da intercessão. Se você tem tempo de ir ao salão, ao shopping, à academia, você também tem tempo para orar.
A maior influência que uma mãe pode exercer na vida dos filhos é por meio da oração. Temos que priorizar, organizar nossa vida a favor disso.
Veja exemplos de algumas mães de oração. Suzana Wesley tinha 19 filhos e nunca abriu mão de orar uma hora por eles. Esse tempo era sagrado e seus filhos não ousavam interrompê-la, porque sabiam que ela estava no quarto derramando sua alma diante de Deus em favor de cada um deles.
Essa mulher piedosa levou ao mundo um dos maiores avivalistas do século XVIII, John Wesley, e um dos mais consagrados músicos evangélicos, Carlos Wesley.
Precisamos de mães que mesmo na agitação desse mundo tenham tempo para buscar a Deus em favor dos seus filhos.
Começar é fácil, difícil é perseverar. Muitos falam e pregam sobre oração, mas poucos oram de verdade. Talvez você já tenha sido uma firme mulher de oração, que jejuava, intercedia, reparadora de brecha e hoje se encontra fraca.
Outra mãe intercessora foi Mônica, que orou cerca de 40 anos pela conversão de seu filho Agostinho. Ele era um jovem devasso e completamente resistente ao evangelho, mas ela jamais desistiu de esperar por um milagre de Deus na vida de seu filho. Noite e dia ela clamava a Deus pela conversão de Agostinho, foram 40 anos de luta, choro de oração, mas um filho de muitas lágrimas não poderia se perder. Agostinho foi o maior expoente da Igreja entre o período dos apóstolos e reformadores. Maior teólogo que a Igreja já produziu depois do apóstolo Paulo e foi fonte de inspiração para Lutero e Calvino.
Na família de Tim Cimbala, pastor em Nova York, sua filha primogênita estava se tornando resistente ao evangelho e começou a viver uma vida de rebeldia, mundanismo e pecado. Não demorou muito até se rebelar contra os pais e sair de casa. Seus pais choraram, sofreram e começaram a definhar a ponto de os amigos lhes dizerem para desistirem de procurá-la. Contudo, numa celebração de vigília, uma irmã interrompeu e disse que deveriam chamar por sua filha e todos deram as mãos e oraram. Ali se tornou uma “sala de parto” onde as dores e os gemidos eram expressos diante de Deus. Quando o pastor voltou para a casa ele disse à sua esposa: “Se há Deus no céu, nossa filha já foi liberta hoje”. E ela voltou para casa liberta e sarada.
Não desista de orar, chorar, gemer, por seus filhos, Deus está à procura dessas mães.
Mães da Bíblia: Identifique-se com elas!
Rispa (2 Samuel 21.8-22): uma mãe incansável. Mulher forte e de caráter firme. Seu nome significa “Pedra Quente”. Ela foi mulher do Rei Saul e teve dois filhos com ele, Simoni e Mefibosete. Houve três anos de fome em Israel e Davi foi consultar ao Senhor e veio a resposta: “Há culpa de sangue sobre Saul e sua casa, porque ele matou os Gebeonitas”. Davi teve de escolher sete homens da família de Saul para serem enforcados para que a chuva pudesse cair novamente sobre a terra de Israel, cinco netos de Saul e seus dois filhos com Rispa. Seus corpos foram esquecidos, foram deixados ao madeiro, ao relento. Então, Rispa tomou um pano de saco e o estendeu para si sobre uma pinha, e assistiu o milagre da chuva e ficou em frente aos cadáveres dos filhos dia e noite. E ela não deixou as aves do céu pousar sobre eles de dia e nem os animais do campo à noite. Você pode imaginar a dor dessa mãe diante desses corpos em decomposição dia e noite? O que passava em seu coração? Suas lágrimas e o desejo de vê-los com um sepultamento digno pelo menos. Ela não saiu da sua torre de vigia durante meses. Isso foi dito a Davi e ele tomou os ossos de Saul e os ossos de Jônatas e também os ossos dos sete que foram enforcados e os enterrou na terra de Benjamim. Depois disso Deus se tornou favorável para terra. E foi Rispa, que fez a mãe do rei Davi trazer a bênção novamente sobre Israel.
Joquebede (Êxodo 2.1-2.): Mãe de Moisés, mulher corajosa, serve de modelo para as mulheres de hoje em dia com sua contagiante coragem para temer a Deus e com a fé firme nas promessas e na providência divina.
Débora (Juízes 4.5.): Uma líder de Israel, juíza e profetiza. Ela ouvia a Deus e possuía o coração de serva. Ela delegou tarefas e ofereceu louvores. Liderou com autoridade recebida de Deus. Ela motivou o povo. Foi uma mãe que se despertou para a nação de Israel e inspirou outros ao seu redor a terem a mesma confiança e venceu a batalha.
E você? Qual tipo de mãe tem sido? Você tem tido tempo para orar pelos filhos? Você tem derramado seu coração diante de Deus em fervente oração por seu filho? Você tem falado de seu filho para Deus? Você tem beijado, abraçado e acariciado seu filho? Ou você já desistiu de orar por ele? Você, mãe, tem um presente de Deus em suas mãos e com esse presente você pode influenciar toda uma geração, para a glória do Senhor! Junte-se a nós, existe um exército de mães que não abrem mão da salvação, libertação e da cura de seus filhos. Somos mais de 70 mil mães de oração. Venha se alistar nesse poderoso exército mais que vencedor em Cristo Jesus. “Mães de joelhos, filhos de pé”.

segunda-feira, 12 de março de 2012

UMA FAMÍLIA DE TESTEMUNHAS: JCOB, PETER E GORGI VINS

“É uma grande bênção quando os pais que dão aos seus filhos a luz apontam-lhes também a Cristo! (…) E se os pais são achados dignos de sofrer por Cristo e, agrilhoados, de beber até o fim o cálice da morte, então para seu filho ou filha seus feitos de fé (…) os chamarão a ser fiéis ao Senhor”, disse uma vez Georgi Vins.
Georgi foi um cristão perseguido da terceira geração. Seu pai, Jacob Wiens, era missionário para os russos nativos da Ucrânia. A perseguição dos czares, no século 19, o forçou a fugir para a Sibéria e, depois, para os Estados Unidos.
O pai de Georgi, Peter, seguiu o exemplo do ministério de Jacob. Seu ministério em Moscou e na Sibéria foi marcado pela perseguição sob o governo de Stálin. Sua primeira prisão aconteceu em 1930. Depois de cumprir três anos de prisão em campos de trabalho forçado, Peter foi temporariamente exilado na Sibéria. Quando foi preso pela segunda vez, os cristãos, intimidados pela polícia secreta, testemunharam contra ele. Embora Peter tivesse certeza que seria preso, a polícia o libertou. Mas sua liberdade foi curta. Ele foi preso novamente em 1936, e depois executado na prisão.
Georgi tinha oito anos quando seu pai foi preso pela última vez. Já adulto, tornou-se um dos líderes batistas da Rússia. Enquanto isso, o premiê soviético Nikita Krushchev aprovava várias leis antirreligião que restringiam a já limitada liberdade dos cristãos. Uma vez que as igrejas legalizadas eram controladas pelo governo, Georgi rompeu com as igrejas oficiais e formou sua própria congregação subterrânea.
Os mártires cristãos – as pedras ocultas da nossa fundação – preferem antes sofrer a morte do que negar a Cristo ou a Sua obra… sacrificam coisas muito importantes para promover o Reino de Deus… suportam grande sofrimento pelo testemunho cristão
Em 1966, Georgi se juntou a uma manifestação pacífica em Moscou, contra o controle do estado sobre as igrejas. Ele foi preso e sentenciado a três anos de trabalho forçado. Depois de sua libertação, ele continuou a pregar secretamente. Foi preso novamente em 1974 e sentenciado a cinco anos de trabalhos forçados, seguidos por mais cinco anos de exílio da União Soviética. Depois de sua libertação, perdeu sua cidadania soviética e foi exilado nos Estados Unidos. Morando agora em Elkhart, Indiana, ele continuou a ajudar os irmãos russos através da Ministério Evangélico Russo Internacional. Como seu pai e seu avô, Georgi Vins sofreu voluntariamente pela causa de Cristo até sua morte, em 1988.
Fontes: Cox, Caroline e Catherine Butcher. Livro Cox dos modernos santos e mártires.
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