domingo, 1 de julho de 2012

A ORAÇÃO E O NOSSO TEMPO

Por Eli Vieira

...É tempo de buscar ao Senhor(Oséias 10.12)


Quando John Knox, o pai do presbiterianismo e famoso reformador escocês, encontrava-se em seu leito de morte em Edimburgo em 1572, ele disse a um dos presbíteros reunidos em torno da sua cama;" tenho meditado durante as duas últimas noites sobre a tão atribulada igreja de Deus, desprezada pelo mundo, mas preciosa para Deus. Tenho clamado a Deus em seu favor e a tenho recomendado aos cuidados de Cristo cabeça da Igreja.Tenho lutado contra satanás que está sempre pronto ao ataque. Tenho lutado contra a maldade espiritual e tenho vencido". Knox foi um homem de que tinha uma vida de intimidade com Deus, ele era um homem de oração. Ao olharmos para o livro das crônicas, podemos ver que o autor sagrado ao falar da descendência de Judá ele destaca a vida de um homem chamado Jabez como ilustre(1 Crônicas 4.9,10) porque ele confiou e invocou ao Senhor  e Deus ouviu a sua oração.
A oração foi instituída  para que o próprio Deus seja glorificado- por isso o mais importante quando perguntamos sobre a oração, não é como orar, mas com quem falos ao orar?. Conhecer verdadeiramente quem é Deus e saber poque ele quer que oremos é fundamental para compreendermos a oração. Através de uma vida de oração nós honramos a Deus, reconhecemos que dependemos dEle e que ele é soberano e domina sobre todas as coisas.
A oração é para o nosso crescimento espiritual  como homens e mulheres de Deus- ela foi instituída por Deus para o nosso crescimento espiritual. Não foi de forma perfunctória que o Reformador João Calvino escreveu o maior capítulo das Institutas da Religião Cristã sobre a oração. Os reformadores foram homens de oração. A oração foi instituída para o exercício da nossa fé. A "fé é gerada pela palavra Rm 10.17, mas exercida quando oramos". Porém aqueles que amam ao Senhor não podem ficar muito tempo distante dEle.
A oração foi designada da parte de Deus foi designada  com o propósito de procurarmos da parte dEle, as coisas que precisamos. A oração não tem o propósito de dar informações a Deus, como se ele ignora-se as coisas. O mestre Jesus declarou expressamente: " porque Deus , vosso Pai, sabe o que tendes necessidade, antes que lho peçais"(Mt.6.8).As nossas orações são instrumentos, por meio dos quais Deus cumpre os seus decretos. A oração é o método que Deus ordenou como disse Lutero " orar não é vencer a relutância de Deus, mas apropriar-se do beneplácito dEle", é o meio e método que Deus nos concedeu para transmitir a seu povo as bençãos incomparáveis de sua própria bondade.Vivemos em uma atualidade secularizada, materialista, etc.  isso tem influenciada  a vida dos servos de Deus de tal maneira que muitos já não oram e como consequência perderam a intimidade com Deus. Muitos estão confiando em suas amizades, outros estão firmados no poder econômicos,  etc. porque perderam a visão que o Soberano Deus reina, controla e dirige a história.
Portanto, é tempo de buscar a presença de Deus, certos de que servimos ao Deus que ouve e responde as nossas orações, assim como Ele respondeu a Jabez.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

A Loucura do Evangelho ou as loucuras dos evangélicos?


O apóstolo Paulo escreveu aos coríntios que a palavra da cruz é loucura para a mente carnal e natural, para aqueles que estão perecendo (1Co 1:18, 21, 23; 2.14; 3.19). Ele mesmo foi chamado de louco por Festo quando lhe anunciava esta palavra (Atos 26.24). Pouco antes, ao passar por Atenas, havia sido motivo de escárnio dos filósofos epicureus e estóicos por lhes anunciar a cruz e a ressurreição (Atos 17:18-32). O Evangelho sempre parecerá loucura para o homem não regenerado. Todavia, não há de que nos envergonharmos se formos considerados loucos por anunciar a cruz e a ressurreição. Como Pedro escreveu, se formos sofrer, que seja por sermos cristãos e não como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outros (1Pedro 4.15-16).

Nesta mesma linha, na carta que escreveu aos coríntios, o apóstolo Paulo, a certa altura, pede que eles evitem parecer loucos: "Se, pois, toda a igreja se reunir no mesmo lugar, e todos se puserem a falar em outras línguas, no caso de entrarem indoutos ou incrédulos, não dirão, porventura, que estais loucos?" (1Co 14:23). Ou seja, o apóstolo não queria que os cristãos dessem ao mundo motivos para que nos chamem de loucos a não ser a pregação da cruz.

Infelizmente os evangélicos - ou uma parte deles - não deu ouvidos às palavras de Paulo, de que é válido tentarmos não parecer loucos. Existe no meio evangélico tanta insensatez, falta de sabedoria, superstição, coisas ridículas, que acabamos dando aos inimigos de Cristo um pau para nos baterem. Somos ridicularizados, desprezados, nos tornamos motivo de escárnio, não por que pregamos a Cristo, e este, crucificado, mas pelas sandices, tolices, bobagens, todas feitas em nome de Jesus Cristo.

O que vocês acham que o mundo pensa de uma visão onde galinhas falam em línguas e um galo interpreta falando em nome de Deus [ http://www.youtube.com/watch?v=rG7b0bePOdA ], trazendo uma revelação profética a um pastor? Podemos dizer que o ridículo que isto provoca é resultado da pregação da cruz? Ou ainda, o "pastor Pião" [ http://www.youtube.com/watch?v=xRNWvstH5sQ ], que depois de falar línguas e profetizar rodopia como resultado da unção de Deus? Ou ainda, a "unção do leão" [ http://www.youtube.com/watch?v=J3leVA6j2P0 ] supostamente recebida da parte de Deus durante show gospel, que faz a pessoa andar de quatro como um animal no palco?

Eu sei que vão argumentar que Deus falou através da burra de Balaão, e que pode falar através de galináceos ungidos. Mas, a diferença é que a burra falou mesmo. Ninguém teve uma visão em que ela falava. E deve ter falado na língua de Balaão, e não em línguas estranhas. Naquela época faltavam profetas - Deus só tinha uma burra para repreender o mercenário Balaão. Eu não teria problemas se um galinheiro inteiro falasse português na falta de homens e mulheres de Deus nesta nação. Mas não me parece que este é o caso.

Sei que Deus mandou profetas andarem nus e profetizarem e fazerem coisas estranhas como esconder cintos de couro para apodrecerem. E ainda mandou outros comerem mel silvestre e gafanhotos e se vestirem de peles de animais. Tudo isto fazia sentido naquela época, onde a revelação escrita, a Bíblia, não estava pronta, e onde estes profetas eram os instrumentos de Deus para sua revelação especial e infalível. Não vejo qualquer semelhança entre o pastor pião, a pastora leoa e o profeta Isaías, que andou nu e descalço por três anos como símbolo do que Deus haveria de fazer ao Egito e à Etiópia (Is 20:2-4).

Eu sei que o mundo sempre vai zombar dos crentes, mas que esta zombaria, como queria Paulo, seja o resultado da pregação da cruz, da proclamação das verdades do Evangelho, e não o fruto de nossa própria insensatez.

Eu não me envergonho da Loucura do Evangelho, mas das loucuras de alguns que se chamam de evangélicos.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

FILADÉLFIA JOVEM: I SEM JOÃO, COM CRISTO




          No próximo sábado  dia 23 de Junho de 2012 às 19:30 os Jovens da Igreja Presbiteriana Filadélfia de Garanhuns estarão promovendo o " I SEM JOÃO, COM CRISTO" . O Encontro de Jovens será realizado pela UMP e UPA da Igreja. Venha participar conosco deste momento, quando estaremos proclamando somente a Glória de Jesus.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

SEM TRANSFORMAÇÃO SOCIAL E CULTURAL NÃO HÁ AVIVAMENTO


Muito se tem falado em avivamento nos últimos anos no Brasil. Avivamento se tornou uma palavra-chave para justificar muitos eventos, tanto no contexto pentecostal como nas igrejas históricas. Parece que tudo gira em torno do avivamento. Por conta disso, muitas são as mentiras em torno dotema, pois observando os verdadeiros avivamentos na história, muito do que temos hoje é barulho e nada mais.
Exemplo disso é a Marcha para Jesus e muitos cultos, congressos e eventos em geral. É preciso dizer que muito do que vemos em nada se assemelha ao verdadeiro sentido da palavra avivamento, pois um avivamento de verdade está muito além dos propósitos que se buscam hoje.
Muitos eventos em que se destaca o avivamento não passam de eventos para multiplicação de propósitos e desejos de ministérios pessoais. Para partirmos para um avivamento é preciso transformação de dentro para fora, ou seja, que começa na igreja e se estende para fora, alcançando toda a comunidade e até todo o país.
É preciso rever as bases, como por exemplo:
a) o que é igreja. Muitos não sabem o que é igreja. Para muitos líderes, igreja é simplesmente sua fonte de renda, como um trabalho qualquer. O líder tem regras, metas, reuniões e nada mais. O povo são seus clientes, e suas metas são seus principais objetivos. Em muitas igrejas, esses alvos e metas definem promoções e a vida dos pastores. Com isso, a igreja perde sua referência, perde sua espiritualidade, pois sua linguagem é a empresarial e não a bíblica. A igreja tem que ser uma comunidade terapêutica, ou seja, uma casa onde o cansado, o oprimido, o sofrido, o desesperado encontram descanso e paz, e encontram através da Palavra de Deus um caminho para a vida. Infelizmente, ao contrário, hoje muitas igrejas se tornaram local de extorsão, engano, frustração e mentiras, pois a essência do cristianismo não está ali. Há cultos, em muitas igrejas, onde nem sequer a Bíblia é referida. Fala-se em Deus, em Jesus, porém Seu caráter não é ensinado.
b) o que é a Bíblia. A Palavra de Deus é a referência para homens e mulheres neste mundo turbulento, pois ela é a revelação de Deus, luz para o caminho, é a verdade para que todos aqueles que nela crêem vivam de uma forma abundante no mundo. A Palavra de Deus revela a vontade de Deus para os seres humanos. Por isso, a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus, sendo seu ensino de suma importância para toda a comunidade cristã. Não é possível que uma comunidade se diga cristã e não tenha como principal valor o estudo e a busca do conhecimento através da Palavra de Deus. É preciso também dizer que nos dias de hoje necessita-se de cuidado até mesmo com as traduções bíblicas, pois muitos são os líderes que manipulam o povo com traduções errôneas, onde o único propósito é saciar os próprios desejos. Parece incrível isso. Apesar da Palavra de Deus revelar que nada deve ser acrescentado ou tirado, muitos são os líderes que revelam não temer a Deus em nada, pois distorcem a revelação da Palavra com conclusões pessoais, que são verdadeiras heresias. Ao longo da história, muitas foram as doutrinas, dogmas e eclesiologias criadas com o fundamento de manipular, escravizar os seres humanos.
Muitas teologias hoje, destaco nisso a Teologia da Prosperidade, sucumbiriam diante da análise de biblistas, exegetas conceituados pelo mundo. É preciso dizer que há homens e mulheres que com muita responsabilidade estudam a Palavra de Deus a partir dos textos originais. Isso é uma tarefamuito árdua, que exige o conhecimento de outras línguas, de outras ciências. Por isso, é inadmissível que alguém que se diga pastor, que lidera um povo não saiba manejar a Palavra de Deus.
O apóstolo Paulo aconselha ao jovem Timóteo que procure com zelo o conhecimento, através da Palavra de Deus, para que se apresente como um obreiro que não tem do que se envergonhar. Parece que esse versículo não é compreendido por muitos líderes, pois quanta vergonha vemos em programas de rádio, tv e em muitos cultos. O triste disso é que o próprio Deus revela em Sua Palavra que Ele tem prazer em nos revelar a Sua Palavra, através do Espírito Santo.
c) o que é ser pastor. A função pastoral não é tão simples como muitos homens e mulheres pensam. A Palavra de Deus nos revela que é o próprio Deus que faz e capacita os seres humanos para exercer função de suma importância. A Palavra nos revela que o pastor representa o sumo-sacerdócio, porém é preciso também lembrar que a Palavra de Deus destaca vários atributos para que alguém exerça essa função. O principal deles é que o pastor deve se afastar do pecado e buscar constantemente viver no centro da vontade de Deus. Para isso, Deus coloca à sua disposição Seu Espírito e todos os exemplos do Seu Filho Jesus. Porém, é preciso que o pastor assuma ser dependente de Deus, e não viva segundo a sua própria sabedoria e vontade, pois o pastor deve ser exemplo no caráter, na sua forma de ser e praticar a sua regra máxima, que é a Palavra de Deus.
Sendo assim, aquele que assume a função pastoral tem que saber sobre a sua vocação, e não como é feito em muitas igrejas, que fazem do pastoreio algo hereditário e nepotista. Isso expõe o porquê de muitos pastores e pastoras serem tão desumanos, materialistas, consumistas e em nada espelhem o caráter de Cristo.
d) qual a missão da Igreja. A pergunta é: para que serve uma igreja no contexto contemporâneo? Algumas igrejas são verdadeiros clubes sociais, exclusivos para determinados grupos sociais. Temos igrejas para ricos, para pobres, para cantores, para gente famosa, para gente simples, como também há igrejas que têm um pouco de tudo. Mas a grande questão é que a igreja não cumpre a sua missão. A essência da igreja está na promoção da vida, no fato de que todos aqueles e aquelas que a frequentam têm compromissos não somente consigo próprio, mas principalmente com o seu próximo.
A igreja existe para que homens e mulheres conheçam a Deus, descubram a Sua vontade e espalhem pela terra, de forma prática, o ser de Deus. Isso é ser a imagem e semelhança de Deus. Não basta se intitular cristão; é preciso viver uma vida prática do cristianismo, e isso muitas igrejas, muitos líderes e muitos cristãos precisam descobrir. Não é possível que em alguns lugares do mundo seres humanos morram de fome, sede e de doenças, pela guerra, enquanto algumas nações se declaram cristãs e nada fazem pelos que sofrem no mundo.
Há igrejas que em cinquenta anos de existência nunca enviaram um missionário. Em muitas igrejas, missões são um assunto descartável, pois a preocupação é local e pessoal. Tudo o que a igreja arrecada tem como destino sustentar a liderança. Infelizmente, para muitos líderes, a igreja existe para sustentá-los e saciar seus desejos pessoais.
A missão da igreja vai muito mais além daquilo que pensamos, pois o próprio Deus nos mostrou, de forma prática, que devemos ser instrumentos de transformação social.
Após a igreja estar centrada nessas bases, podemos dizer que esta igreja pode começar a orar por uma avivamento.
É preciso saber que um verdadeiro avivamento tem obstáculos enormes, obstáculos que só podem ser transpostos pela fé. Quando digo que esses obstáculos são enormes é porque no Brasil temos um câncer e cultural.
“O Brasil precisa de uma faxina ética, e isso tem que iniciar na igreja e na sua liderança”
No Brasil, temos uma cultura mutante, influenciada por diferentes culturas vindas de todo o mundo, através dos processos de imigração. Desde nossa colonização, a cultura que predomina é a cultura da morte, da exploração do mais fraco. Isso se revela em nossa história: o negro, o índio, a mulher, as crianças, os velhos, todos foram explorados até a morte em nossa história.
Isso também ocorre hoje, em nossa sociedade, pois muito do que vemos não é nada novo. É a continuação de um processo que não para. O pobre, o negro, a mulher, as crianças, os velhos continuam a ser vítimas dos poderosos, e isso hoje vai muito além do senhor da casa-grande, pois em nossos dias isso se estende para o Estado, e são expostos através das ações dos políticos, dos grandes latifundiários, dos donos de comércio, dos militares e, infelizmente, também pelos religiosos.
Enfim, nada mudou.
A cultura de morte se espalha em todo o canto do mundo, em todo o canto do nosso país. Isso é visto no sistema de saúde, no trabalho, na distribuição de renda, no sistema carcerário, no trânsito, enfim, nas relações humanas. Onde tem pobre, negro, tem miséria, doença, fome, tristeza e morte. Se um negro pobre estiver sendo espancado por policiais em via pública, ninguém vai interferir, pois se tem a cultura de que negro e pobre é “bandido”, e bandido tem que apanhar mesmo. Há um ditado popular que diz que bandido bom é bandido morto.
Por que não dizemos isso do sistema político? Por que não dizemos isso dos ricos? Eles também cometem crimes. Sabe porquê existe essa diferença? Porque faz parte da nossa cultura sobrepujar o pobre, o negro, o miserável.
No Brasil e em muitos países do mundo há uma justiça para pobres, negros e miseráveis, e outra para os ricos. Apesar da Constituição Brasileira dizer que somos iguais, isso não acontece no dia-a-dia de nossa sociedade. Quem comanda a cultura são as elites que massacram os mais fracos, e essa cultura massacrante, onde o mais fraco, o diferente, o desigual é a grande vítima da guerra social.
E o ponto mais triste, em meio a tudo isso, é que a igreja participa de tudo isso ao longo da história. A igreja, desde a colonização, também foi responsável pelo massacre cultural. Mesmo depois de quinhentos anos, a igreja nada mudou e hoje temos um agravante, pois juntamente com a Igreja Católica, as igrejas contemporâneas também assistem o sofrimento dos pobres e o pior, que muitas têm se transformado em uma das formas de exploração dos mais pobres.
De diferentes formas, hoje a igreja entra na cultura da morte, pois nega sua responsabilidade social e cultural. A igreja precisa rever suas bases sociais e culturais, pois em sua essência está a luta por justiça e vida.
Não é possível assistir o caos social em que vivemos enquanto muitas igrejas, ao invés de ser veículos de justiça, se aliam ao mundo. Exemplo disso são as alianças políticas. O mundo político é um poço de lama, onde a corrupção reforça a cultura de morte. É preciso uma grande mudança, pois acredito que da forma que estamos será difícil falar de um verdadeiro avivamento, a não ser que tudo mude, pois o que temos hoje no seio de algumas igrejas é a mentira, o misticismo, a idolatria humana, o desejo desenfreado de consumir e viver de forma totalmente material. Esses valores são pedras de tropeço para um verdadeiro avivamento.
Como pode haver milagres, se a Palavra não é pregada? E quando pregada, é tendenciosa? O exemplo disso é a Teologia da Prosperidade, que enriquece a cada dia os seus defensores, enquanto que o povo continua na miséria. Hoje temos, infelizmente, a manipulação da realidade religiosa, pois tudo tem propósitos, e muitos propósitos não são éticos nem verdadeiros. Como haver avivamento, se a igreja não representa a justiça? Como haver prosperidade, se a prosperidade não muda o estado de miséria de um povo? Como haver avivamento, se a igreja é um veículo de mentira social, aliada ao sistema de corrupção e ao pecado, elementos esses que alimentam essa cultura de morte?
Estou exagerando? Veja o resultado das denúncias da Anistia Internacional, em relação aos direitos humanos no Brasil. Veja os resultados dos órgãos que pesquisam a educação, a violência contra a mulher, crianças, idosos, resultados esses que, comparados a outros países do mundo, nos colocam abaixo de muitos países ditos miseráveis. Veja a realidade dos hospitais, a seca no nordeste, que há décadas persiste. Quantos políticos se enriqueceram às custas de projetos contra a seca? O que dizer da Reforma Agrária, ou melhor, que Reforma Agrária? O que dizer do trânsito, que mata a cada dia, e incrível, se o rico matar no trânsito sai na mesma hora, e rindo, enquanto famílias choram a perda dos entes queridos. O que dizer do sistema penitenciário, verdadeiras masmorras medievais, onde a tortura e o desrespeito ao sentido da palavra humano são as leis? O que dizer do Estado, que usa a tortura, espancamento como medidas sócio-pedagógicas em instituições que dizem existir para corrigir e mudar o caminho de jovens infratores? O que dizer de nossas estradas? O que dizer dos pobres no interior de Estados do nordeste, onde a fome, a miséria prevalecem?
E o que temos em resposta do Estado para tudo isso? Fome Zero, PAC, porém de outro lado, juntamente com isso, temos mensalão, ambulâncias, Cachoeiras, enfim, como dizem, formas para tapar o sol com a peneira.
É preciso atacar o foco. Se não mudarmos nossa cultura de vantagens e exploração dos pobres, não teremos uma mudança social e, com isso, um verdadeiro avivamento não pode ocorrer. Não é possível que Deus assista todo o sofrimento de um povo e, enquanto isso, “seus filhinhos” cantem e dancem nas igrejas. Isso não é amor, não é misericórdia, não é solidariedade.
O que vemos é vaidade, ganância, omissão e tudo isso é pecado. Onde há pecado não há a presença de Deus. Num país onde rico e poderoso nunca erra, mesmo pego em flagrante; onde até as leis são presunção de exploração e injustiça, a igreja tem que pregar que Deus é contrário a tudo isso.
Mas agora vivemos o contrário. Pastores se calam diante do poder financeiro de muitos ricos e poderosos, e mentem sobre avivamento e o poder do Espírito Santo. Por isso, só acredito em avivamento se a igreja abandonar seus laços com o mundo corrompido e mau. Assim proclamo:

“Sem transformação social e cultural não há avivamento.”

Não há engano, a não ser que se queira. Temos que lutar por pastores que busquem sabedoria, transparência, integridade, simplicidade, e que tenham em seu vocabulário e prática de vida palavras como amor ao próximo, solidariedade, Graça, e isso tudo vem com mudanças de rumo. Ser pastor não é profissão, é um sacerdócio.
Queremos pastores que saibam enxergar o próximo. Queremos pastores que dividam sua prosperidade com os que sofrem.
Ufa! Estou cansado de ver tudo isso, e não ver mudanças em nossa sociedade. Continuo a ver pobres nas calçadas, morrendo de fome; doentes morrendo em portas de hospitais por falta de leitos, ou pela precariedade no atendimento. Estou cansado de pobres serem torturados e mortos por policiais; estou cansado de ver políticos mentindo na TV, sem ninguém fazer nada – ninguém sabe nada. Estou cansado de ver pastor na TV mentindo, adulterando a Palavra de Deus em seu proveito, chamando seus próximos de bandidos. E, lamentavelmente, a culpa não é de ninguém, ninguém fez nada.
Algo tem que acontecer, e tem que começar. O começo é acabando com a mentira e a hipocrisia que há em toda a sociedade e em muitas igrejas e líderes. Só assim poderemos clamar, em alta voz, aba Pai. Aí sim veremos acontecer em nossa sociedade o que diz a Bíblia em 2 Crônicas 7.14:
“E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.”
Ainda bem que a misericórdia de Deus se renova a cada manhã em nossas vidas.
“Voltemos ao Evangelho puro e simples, o $how tem que parar.”
Louvado seja Deus que ainda está no controle do mundo.
Paulo Siqueira

terça-feira, 29 de maio de 2012

OS MODELOS DE GOVERNO ECLESIÁSTICO, SUAS VANTAGENS E DIFICULDADES PRÁTICAS



Sinteticamente podemos dizer que existem três formas de Governo Eclesiástico. Provavelmente sua igreja é governada por uma delas. São elas:


a) a) Episcopal: Essa forma de governo é caracterizada por ter um "Líder Maior", geralmente chamado de Epíscopo, Papa, Bispo, Pastor Presidente e até Apóstolo, que governa todos os outros líderes e demais membros da igreja. É ele quem toma todas as decisões. Ou seja, “Um” governa a “Todos” (Igreja Episcopal, Universal, Católica, Assembléia de Deus e a maioria das igreja neopentecostais);


b) b) Congregacional – A principal característica dessa forma de governo eclesiástico é a participação de toda a congregação na tomada de decisões. Nada é decidido sem que antes tenha a aprovação da Assembléia de membros da igreja. Ou seja, "Todos" governam (Igreja Batista, Congregacional etc.);


c) Presbiterial ou representativo – Nesse Regime de governo"Alguns" são eleitos para governar a "Todos" (Igreja Presbiteriana).

Cremos ser a última forma de governo eclesiástico (letra c) a que mais se aproxima do modelo bíblico. É o governo do povo por meio de representantes por ele escolhido; um governo republicano. Calvino, em sua interpretação das Escrituras sobre esse assunto, considera também ser o governo representativo aquele que foi ensinado pelos apóstolos para a organização da Igreja de Cristo. Na Bíblia, podemos encontrar facilmente os princípios norteadores e constituintes dessa forma de governo eclesiástico: Atos. 11: 30; 14: 23; 15: 2, 4, 6, 22; Tito 1: 5.

Apesar do exposto acima, nossa intenção é demonstrar, de forma prática, despretensiosa e sem a (talvez) necessária preocupação hermenêutica, os pontos positivos e negativos de cada forma de governo eclesiástico. Contudo, principalmente em relação à forma de governo que entendemos ser a mais aproximada do modelo bíblico, os pontos negativos, não estão, necessariamente, relacionados à falhas do próprio sistema de governo e sim daqueles que o adotam. Mas que elas existem, existem. Comecemos na mesma ordem:

Governo Episcopal:

Pontos positivos: Esse talvez seja o modelo de governo que dê mais agilidade à igreja. Tudo só depende da aprovação de uma pessoa. Por exemplo: a reforma do prédio do departamento infantil da igreja. O Epíscopo decide fazer, quem vai fazer e o que vai ser feito. Tudo é resolvido de forma rápida e ágil. A igreja é muito beneficiada neste sentido. Os casos de disciplina eclesiástica também são rapidamente resolvidos trazendo a devida ordem à comunidade.

Pontos negativos: É desnecessário dizer que a concentração de poder na mão de uma única pessoa é algo muito perigoso. Os erros desse Epíscopo podem desviar para sempre sua igreja e como não há uma autoridade superior ninguém pode impedir essa derrocada. As escolhas das prioridades, dos materiais e das pessoas a serem contratadas podem ter critérios não muito corretos, em caso de desvio de conduta pessoal do Epíscopo e não haverá ninguém para lhe dizer um basta. Nos casos de injustiças na aplicação da disciplina eclesiástica o membro da igreja ficará sempre prejudicado, não tendo a quem recorrer. Esse modelo também dá margem a perseguições de possíveis oponentes, ainda que esses estejam com a razão, bem como a beneficiamento e falta de disciplina para aliados. Todos esses problemas são decorrentes do poder absoluto que o Epíscopo ou líder tem.

Governo Congregacional:
Pontos positivos: Uma das principais vantagens dessa forma de governo eclesiástico é que ninguém pode reclamar por não ter sido consultado ou ainda ouvido. Todos os membros têm direito a voto e a opinar sobre os mais diversos da igreja. Usando o mesmo exemplo da a reforma do prédio do departamento infantil da igreja, todos podem opinar sobre a necessidade dessa reforma, sobre as pessoas a serem contratadas e até sobre o material a ser utilizado. Ninguém pode dizer depois que não sabia ou que não foi ouvido. Isso acaba diminuindo bastante o grau de insatisfação da cumunidade.

Pontos negativos: Em qualquer igreja há pessoas maduras e pessoas imaturas. Essa é uma das maiores dificuldades desse regime de governo eclesiástico. Num caso de disciplina eclesiástica, por exemplo, além do constrangimento do membro faltoso ser apresentado diante de toda a congregação, ainda corre gravíssimo risco de ter sua situação emocional e espiritual agravada por conta das perguntas e das abordagens dos possíveis desafetos e dos membros que ainda não sabem lhe dar com esse tipo de situação. É algo realmente extremamente constrangedor. A morosidade na tomada de decisão também é um fator complicador, tendo em vista que depende da quantidade de membros presentes e da votação da maioria para aprovar um projeto. Diante disso, muitas igrejas Batistas, por exemplo, estão assumindo uma prática que descaracteriza por completo o regime congregacional: estão criando uma espécie de conselho para tratar de alguns assuntos antes mesmo de ser levado à assembléia dos membros, não sendo raras as vezes quando chegam com a decisão tomada esperando apenas a aprovação de todos.

Governo Presbiterial ou Representativo:
Pontos positivos: Esse regime de governo eclesiástico está tanto livre dos perigos que se apresentam quando o poder está concentrado nas mãos apenas de uma pessoa quanto da participação e decisão de pessoas imaturas que ainda não estão em condições de traças os rumos da igreja. Ele pressupõe que os homens mais preparados da igreja são eleitos por todos os membros, em assembléia extraordinária, para governá-la. A igreja é autônoma e livre para escolher seus representantes, baseada nas condições pré-estabelecidas na bíblia para a ordenação de um presbítero. O conselho da igreja, em casos de disciplina eclesiástica, via de regras, tem condições de tratar o faltoso e aplicar-lhe a pena necessária para trazê-lo de volta aos caminhos da palavra de Deus. Em caso de disciplina aplicada fora dos preceitos bíblicos ou ainda por alguma espécie de perseguição, o membro que se sentir prejudicado poderá apelar para o "tribunal eclesiástico" imediatamente superior (geralmente são três instâncias superiores de apelação). Isso diminui bastante a possibilidade das injustiças e erros.


Pontos negativos: Como a congregação não participa das decisões de forma ativa, isso acaba dando margem para críticas às decisões do conselho.Outro ponto negativo é a morosidade com que os processos se desenrolam. Utilizando o mesmo exemplo da reforma do prédio do departamento infantil da igreja, uma obra que poderia ser relativamente rápida pode durar duas ou três vezes mais tempo para ser concluída. Começando pela discussão de como será feita a obra, os materiais utilizados e quem vai executá-la até a disposição da verba para a realização dos projetos. Em muitas vezes decisões como essas não saem antes de duas ou três reuniões do conselho. A própria dificuldade de reunião dos presbíteros atrasa muitos processos necessários ao bom andamento da igreja. Os presbíteros não são obreiros exclusivos da igreja, todos têm seus trabalhos seculares, famílias e dificuldades particulares. Além disso, o pastor, que é também é um presbítero (docente) e que, geralmente, se dedica em tempo integral à igreja (pelo menos deveria), não pode tomar decisões sozinho. Basta faltar um número considerável de presbíteros (geralmente cada igreja possui de 02 a 10 presbíteros) para a reunião não acontecer. Isso gera muito atraso nos projetos da igreja, dando, muitas vezes, uma impressão de desgoverno e abandono da igreja, uma vez que somente esses presbíteros podem decidir os rumos a serem tomados e não o fazem, muitas vezes, com a agilidade necessária.

Outra dificuldade prática desse sistema de governo é que nem sempre são eleitos presbíteros homens conhecedores da palavra e das doutrinas basilares ensinadas pela Igreja Presbiteriana. Geralmente são oficiais leigos, isto é, sem formação teológica alguma. Mas esse não é o maior problema. Isso não impediria desse oficial estudar e conhecer a bíblia e as principais sistematizações doutrinárias de sua igreja, como, aliás, muitos fazem. Outros tantos, porém, não se interessam pelo estudo doutrinário, assumindo a postura do senso comem que afirma ser "importante a bíblia e não teologia", esquecendo que qualquer afirmação acerca da bíblia é, necessariamente, uma interpretação teológica. Por conta disso, muitas igrejas Presbiterianas locais acabam se descaracterizando, e, com isso, tornando-se mais parecidas com muitas igrejas neorenovadas e neopentecostais que com uma genuína igreja Presbiteriana, propriamente dita. Além disso, essa falta de conhecimento dos presbíteros torna esses oficiais presas fáceis para pastores que parecem ter vocação para o governo episcopal e simpatia por práticas neopentecostais. Muitas desses pastores acabam manipulando os presbíteros, não raras as vezes, em benefício próprio. Não é interessante, para muitos pastores, a presença no conselho de presbíteros conhecedores da bíblia, dos símbolos de fé e da constituição da igreja. Por conta disso, o governo presbiteriano, de algumas igrejas locais, fica extremamente prejudicado, estando mais próximo a um governo episcopal, onde tudo é decidido pelo pastor, que presbiterial. Outras vezes, para fugir das possíveis críticas, alguns conselhos, por pura falta de conhecimento, acabam levando assuntos que seriam de sua exclusiva competência, para a igreja, em assembléia, se pronunciar e até votar decidindo sobre o fato, igualmente descaracterizando o sistema de governo representativo.

Postado por Filósofo Calvinista

quarta-feira, 16 de maio de 2012

COMECE O DIA EM ORAÇÃO


Comece o Dia em Oração


















Por Edward M. Bounds
Os homens que mais fizeram
para Deus neste mundo dobravam cedo seus joelhos. Aquele que joga fora o início
da manhã, sua oportunidade e frescor, perseguindo outras coisas ao invés de
buscar a Deus fará pobre progresso no sentido de buscá-lo o resto do dia. Se
Deus não é o primeiro em nossos pensamentos e esforços pela manhã, Ele estará em
último lugar no resto do dia. Por trás do levantar cedo e cedo orar está o
desejo ardente que nos preme no propósito de buscar a Deus. O sono profundo
pela manhã é indício de um coração em sono profundo. O coração que é tardo em
buscar a Deus pela manhã perdeu seu prazer por Deus. O coração de Davi ardia
por buscar a Deus. Ele tinha fome e sede de Deus, e por isso ele buscou a Deus
cedo, antes da luz do dia. A cama e o sono não puderam encarcerar sua alma em
sua ânsia por Deus. Cristo almejou comunhão com o Pai; e por isso levantava-se
muito antes que fosse dia, e ia ao monte orar. Os discípulos, quando
completamente despertos e envergonhados de sua indolência, sabiam onde
encontrá-lo. Nós poderíamos seguir a lista dos homens que impactaram
poderosamente o mundo para Deus, e iríamos encontrá-los buscando-o logo cedo.
Um desejo por Deus que não
quebra as cadeias do sono é algo fraco e fará muito pouco por Ele depois que tiver
satisfeito completamente a si mesmo. O desejo por Deus que mantém a distância
tanto o diabo quanto o mundo no início do dia nunca será escravizado. Não é
simplesmente o levantar que põe os homens à frente e os faz capitães nas hostes
de Deus, mas é o desejo ardente que os instiga e quebra todas as cadeias da
auto-indulgência. Mas o levantar-se traz alento, aumento, e força ao desejo. Se
eles estivessem deitados na cama agradando a si mesmos, o desejo teria se
extinguido. O desejo é o que os desperta e os faz curvar-se perante Deus, e
isto atendendo e agindo em resposta à sua fé; aproximam-se de Deus e seus
corações recebem a mais doce e completa revelação dEle; e esta força de fé e
abundância de revelação os faz santos por eminência, e o halo de sua santidade
chega a nós, e entramos no gozo de suas conquistas. Nos deleitamos com isto,
mas não o executamos. Nós construímos suas tumbas e escrevemos seus epitáfios,
mas não cuidamos em seguir seus exemplos. Precisamos de uma geração de
pregadores que busque a Deus e o busque cedo, que dê o frescor e o orvalho dos
esforços a Deus, e assegure de volta o frescor e a abundância do Seu poder; que
Deus possa ser para eles como o orvalho, pleno de alegria e força, através de
todo o calor e labor do dia. Nossa preguiça por Deus é nosso lamentável pecado.
Os filhos deste mundo são mais sábios do que nós. Eles estão nisto cedo e
tarde. Nós não buscamos a Deus com ardor e diligência. Nenhum homem busca a
Deus e não o segue firme, e nenhuma alma que o segue firme não o busca cedo
pela manhã.

Edward Bounds McKendree foi preparado para ser advogado,
mas em vez de seguir a carreira jurídica, entrou para o ministério com vinte e
poucos anos. Em 1859 ele foi ordenado como pastor da Igreja Metodista
Monticello em Missouri. Bounds foi capelão no exército confederado durante a
Guerra Civil Americana. Ele foi capturado pelo Exército da União, em Franklin,
Tennessee, e mais tarde libertado. Após a sua libertação, ele se esforçou para
reconstruir o estado espiritual de Franklin, iniciando sessões semanais de
oração. Bounds foi editor adjunto do jornal oficial Metodista, o Advogado
Cristão, e é mais conhecido por se inúmeros livros sobre o tema da oração. Como a respiração
é uma realidade física para nós, a oração era uma realidade vital para Bounds

Postado por Anderson Queiroz
Fonte: A Pena Afiada

quarta-feira, 9 de maio de 2012

DÉBORA, MÃE EM ISRAEL


“... até que eu, Débora, me levantei, levantei-me por mãe em Israel” (Jz 5.7).

Josivaldo de França Pereira


Quando eu era criança costumava folhear um antigo livro de meu pai chamado O Ensino da Palavra que me ajudou bastante no entendimento da Bíblia na infância. Foi nele que pela primeira vez li o nome da “heroína chamada mãe em Israel”. Indo à Bíblia encontrei a história completa.
A Bíblia introduz a história de Débora assim: “Débora, profetisa, mulher de Lapidote, julgava a Israel naquele tempo. Ela atendia debaixo da palmeira de Débora, entre Ramá e Betel, na região montanhosa de Efraim; e os filhos de Israel subiam a ela a juízo” (Jz 4.4,5).
O nome “mãe em Israel” é uma designação dada por Débora a si mesma (Jz 5.7). Por que Débora se autodenominou “mãe em Israel”? Lendo os capítulos 4 e 5 do livro dos Juizes facilmente descobrimos.
A profetisa de Israel. O primeiro ofício de Débora registrado na Bíblia é o de profeta. Débora, Miriã (Ex 15.20; Nm 12.2) e Hulda (2Cr 34.22) são as principais profetisas do Antigo Testamento. E foi investida da autoridade de profeta que “Mandou ela chamar a Baraque, filho de Abinoão, de Quedes de Naftali, e disse-lhe: Porventura, o SENHOR, Deus de Israel, não deu ordem, dizendo: Vai, e leva gente ao monte Tabor, e toma contigo dez mil homens dos filhos de Naftali e dos filhos de Zebulom? E farei ir a ti para o ribeiro Quisom a Sísera, comandante do exército de Jabim, com os seus carros e as suas tropas; e o darei nas tuas mãos” (Jz 4.6,7). Débora não negociava princípios. Ela era uma mulher temente a Deus, sábia, dotada de discernimento e espiritualidade.
A juíza de Israel. Débora é a única mulher a ocupar o ofício de juiz na Bíblia. Ela “julgava a Israel naquele tempo” (Jz 4.4), isto é, época em que o povo se encontrava sob a servidão de Jabim, rei de Canaã, por volta do ano 1125 a.C. “Ela atendia debaixo da palmeira de Débora, entre Ramá e Betel, na região montanhosa de Efraim; e os filhos de Israel subiam a ela a juízo” (Jz 4.5).[1] Seu papel era mais de uma conselheira do que de uma magistrada dos tempos modernos, a quem o povo trazia seus problemas. A consulta dos filhos de Israel se dava principalmente por causa de Jabim que “por vinte anos oprimia duramente os filhos de Israel” (Jz 4.3); razão porque Débora cobrou Baraque por não cumprir a ordem de Deus. Alguns estudiosos associam o carisma de Débora ao fato dela ser profetisa. Na verdade, o carisma de Débora era estar sempre pronta para atender os filhos de Israel, não num palácio, mas debaixo de uma árvore.
A comandante de Israel. Quem deveria organizar o povo e guerrear contra Sísera, comandante do exército de Jabim, era Baraque. Mesmo com a promessa de Deus da vitória sobre Sísera (Jz 4.7) parece que Baraque estava com muito medo, pois Jabim tinha novecentos carros de ferro e muito povo com ele (Jz 4.3,13). Baraque disse a Débora que só lutaria se ela fosse com ele (Jz 4.8). “Ela respondeu: Certamente, irei contigo, porém não será tua a honra da investida que empreendes; pois às mãos de uma mulher o SENHOR entregará a Sísera. E saiu Débora e se foi com Baraque para Quedes” (Jz 4.9). No limiar da batalha a voz de comando de Débora surge mais uma vez: “Então, disse Débora a Baraque: Dispõe-te, porque este é o dia em que o SENHOR entregou a Sísera nas tuas mãos; porventura, o SENHOR não saiu adiante de ti? Baraque, pois, desceu do monte Tabor, e dez mil homens, após ele” (Jz 4.14). Débora entrou para a história como a mulher que ganhou vitórias na batalha. Baraque, por sua vez, como o general que recusou dirigir o exército sem a presença duma mulher.
A cantora de Israel. O cântico de Débora, entoado por ela e Baraque (Jz 5), é um belíssimo hino de exaltação ao Senhor pela vitória sobre o exército de Sísera e libertação dos filhos de Israel da opressão de Jabim, rei de Canaã (cf. Jz 4.15). F. F. Bruce divide o cântico de Débora em oito seções: um exórdio de louvor (vv2,3); a invocação de Yahweh vv4,5); a desolação sob os opressores (vv6-8); o ajuntamento das tribos (vv9-18); a batalha de Quisom (vv19-23); a morte de Sísera (vv24-27); a descrição da mãe de Sísera a esperar pela sua volta (vv28-30); e o epílogo (v31).[2] “É pelo cântico”, diz Bruce, “e não tanto pela narrativa em prosa do quarto capítulo do livro, que aprendemos sobre o que provocou precisamente a derrota de Sísera: um enorme temporal de chuva fez transbordar o Quisom, e varreu as carruagens dos cananeus (v21), lançando seu exército na confusão e tornando-o presa fácil para os homens de Baraque”.[3]
Débora foi uma verdadeira mãe em e para Israel. Seu nome significa “abelha”, contudo, sua “ferroada” foi contra os inimigos do povo de Deus que a procurava para alívio das duras opressões. Os filhos de Israel sofriam por seus próprios pecados (Jz 4.1,2), mas nem por isso Débora deixou de interceder em favor deles, como a doçura do mel de abelha.
A vida de Débora tem servido de inspiração para muitos nos dias de hoje, como é o caso do ministério Desperta Débora. Quem são as Déboras dos nossos dias? São, segundo esse ministério, mães intercessoras, biológicas, adotivas ou espirituais, de qualquer denominação, comprometidas a orar diariamente por seus filhos e pela juventude, por no mínimo 15 minutos diários. Hoje já são mais de 70.000 mães cadastradas em todo o território brasileiro e até no exterior. A liderança do Desperta Débora é composta por mais de 1.500 coordenadoras locais de cidades, de estados, regionais e nacional.[4]
Débora se levantou como mãe para defender Israel - sua nação. Em Juizes 5.12 ela desafia a si mesma dizendo: "Desperta, Débora, desperta...”.



[1] Não devemos confundir essa passagem (Jz 4.5) com Gênesis 35.8, onde uma outra Débora foi sepultada debaixo de uma árvore em Betel.    
[2] F. F. Bruce, Débora. In: O Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 2003, p. 396.
[3] Ibidem.
[4] Fonte: www.despertadebora.com.br. Acesso em 28/09/2011.
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